O governo dos Estados Unidos comunicou ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que avalia endurecer o combate a organizações criminosas brasileiras com possível enquadramento do PCC e do CV como grupos terroristas.
Durante reunião com autoridades norte-americanas, foi indicado que Departamento de Estado dos Estados Unidos considera que essas facções operam com grande volume financeiro por meio de esquemas de lavagem de dinheiro.
A eventual classificação permitiria ampliar mecanismos de bloqueio e restrição de recursos, com impacto direto na capacidade de financiamento dessas organizações.
O aviso prévio ao Brasil foi interpretado como um gesto diplomático, já que nem todos os países receberam comunicação antecipada sobre medidas semelhantes.
O México, por exemplo, não foi informado antes de a Casa Branca classificar cartéis locais nessas condições.
Caso se confirme, a inclusão de CV e PCC na lista de organizações terroristas estrangeiras representará uma mudança relevante na política externa dos EUA para a América Latina.
A medida aciona instrumentos mais rígidos do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
Isso permitirá o congelamento imediato de ativos sob jurisdição americana e proibindo qualquer tipo de apoio material por indivíduos ou empresas vinculadas ao sistema financeiro dos EUA.
Na prática, isso pode dificultar o acesso dessas facções ao sistema bancário internacional, ampliando o cerco financeiro global.
A iniciativa, no entanto, coloca o governo brasileiro em uma situação sensível.
O Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça e Segurança Pública tradicionalmente defendem que o enfrentamento ao crime organizado deve ocorrer por meio de cooperação policial e judicial, e não por classificações que elevem o tema ao patamar de segurança nacional internacional.
Nos bastidores, há preocupação de que a medida abra espaço para pressões externas, sanções indiretas e impactos sobre setores da economia, além de possíveis questionamentos sobre a soberania brasileira. E mais: os melhores restaurantes em São Paulo para conhecer. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP; Agenda do Poder)

