A Casa Branca divulgou nesta quarta-feira (1º) um relatório detalhando as relações comerciais dos Estados Unidos com diversos países, incluindo o Brasil.
No documento, o governo norte-americano aponta uma série de medidas brasileiras consideradas protecionistas, com críticas que vão desde a chamada “taxa das blusinhas” até o sistema de pagamentos Pix e as regras do Mercosul.
Entre os pontos destacados, estão as tarifas aplicadas sobre produtos importados. O relatório menciona o modelo de tributação adotado pelo Brasil para compras internacionais e o classifica como restritivo.
“O governo brasileiro cobra uma alíquota fixa de 60% sobre todas as remessas expressas importadas pelo regime de Desembaraço Aduaneiro Simplificado. O regime de Desembaraço Aduaneiro Simplificado limita as remessas comerciais a US$ 100.000 por importador por ano.
E prosseguiu: “Além disso, a Receita Federal brasileira estabeleceu limites máximos de valor por remessa para entregas expressas de US$ 10.000 para exportações e US$ 3.000 para importações”, diz o trecho do documento.
A análise inclui a política que ficou conhecida como “taxa das blusinhas”, implementada em 2024 durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A medida passou a taxar compras internacionais de até US$ 50, que antes eram isentas, e ampliou a cobrança para remessas de maior valor, com alíquotas mais elevadas.
Segundo a Casa Branca, o relatório funciona como um complemento à estratégia tarifária adotada por Donald Trump em seu atual mandato, com o objetivo de identificar entraves enfrentados por empresas americanas no exterior.
O documento organiza essas barreiras em diferentes categorias, como políticas de importação, regras sanitárias e restrições a investimentos.
Outro ponto de atenção para os Estados Unidos é o Pix, sistema de transferências instantâneas criado pelo Banco Central do Brasil. O relatório critica a atuação da autoridade monetária no controle da ferramenta.
“Partes interessadas dos EUA expressaram preocupação com o fato de o Banco Central do Brasil conceder tratamento preferencial ao Pix”, afirma o texto.
De acordo com o documento, essa estrutura pode prejudicar empresas estrangeiras do setor financeiro. “Isso prejudica os fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA. O Banco Central exige o uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas”, destaca o relatório.
O sistema brasileiro já havia sido alvo de atenção anterior do governo Trump. Em 2025, após a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, os EUA abriram uma investigação com base na legislação comercial americana, citando possíveis práticas consideradas desleais — incluindo referências ao comércio popular da rua 25 de Março, em São Paulo.
O relatório também direciona críticas ao Mercosul, bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Segundo o documento, empresas americanas enfrentam dificuldades devido à instabilidade nas regras tarifárias.
“A falta de previsibilidade em relação às taxas alfandegárias dificulta a previsão dos custos de fazer negócios no Brasil por parte dos exportadores americanos”, diz um trecho do relatório.
Para o governo dos Estados Unidos, as frequentes mudanças nas tarifas dentro das regras do bloco aumentam a incerteza para investidores e exportadores interessados no mercado brasileiro. (Foto: redes sociais; Fonte: Metrópoles)

