A mineradora australiana Oceana Metals anunciou a aquisição do projeto Serra Negra, em Minas Gerais, em mais um movimento de investidores estrangeiros de olho no potencial brasileiro em terras raras. O negócio envolve a compra integral da Songeo Mineração, detentora do ativo.
Segundo a companhia, o projeto é baseado em um sistema geológico do tipo carbonatito, com potencial não apenas para terras raras, mas também para nióbio.
No entanto, a área ainda está em estágio inicial e precisará passar por uma série de etapas antes de se tornar uma operação mineradora, incluindo estudos técnicos, avaliação econômica, licenciamento ambiental e captação de recursos.
O acordo prevê um pagamento inicial de US$ 2,95 milhões, além da entrega de 20 milhões de ações da Oceana, avaliadas em A$ 0,36 cada.
O contrato também inclui valores adicionais condicionados ao avanço do projeto, como US$ 750 mil após a definição de um recurso mineral inicial e mais US$ 1,5 milhão caso seja atingido um volume mínimo de 100 milhões de toneladas com teor médio de 4% de terras raras.
Os antigos proprietários ainda terão direito a royalties de 2,5% sobre a produção futura.
Para viabilizar a aquisição e acelerar as atividades, a empresa anunciou uma captação de cerca de A$ 20 milhões junto a investidores institucionais.
Parte significativa desse montante — cerca de A$ 14 milhões — será direcionada a trabalhos de exploração, como sondagens, levantamentos geofísicos e análises técnicas no projeto Serra Negra e em outros ativos da companhia.
Localizado próximo ao município de Patrocínio, o projeto está inserido na Província Ígnea do Alto Paranaíba, região conhecida pela presença de complexos mineralógicos relevantes.
A empresa destaca que o complexo de Serra Negra possui cerca de 10 quilômetros de diâmetro e o classifica como um dos maiores e menos explorados da área.
A estratégia da Oceana considera a proximidade com polos já consolidados de minerais críticos, como Araxá, Catalão e Tapira. Em Araxá, por exemplo, está a operação da CBMM, referência global na produção de nióbio.
Dados preliminares apresentados pela empresa indicam a presença de mineralização relevante. Amostragens antigas apontaram teores médios de até 3,4% de elementos de terras raras em determinados pontos, com variações que chegaram a 8,4%. Em outro trecho analisado, os resultados médios ficaram em 4,4%.
Apesar dos números, a própria companhia ressalta que o projeto ainda não possui estimativa oficial de recursos minerais. Os dados disponíveis são baseados em campanhas anteriores e precisarão ser confirmados por novos estudos e perfurações.
Além das terras raras, a empresa identificou indícios de nióbio, com registros pontuais superiores a 1% de Nb₂O₅. A mineralização estaria associada a áreas próximas às zonas principais já identificadas no projeto.
O plano inicial inclui a reavaliação de cerca de 8 mil metros de sondagens antigas, além da realização de até 20 mil metros adicionais de perfuração, acompanhados de estudos geofísicos e testes metalúrgicos. O objetivo é validar os dados existentes e avançar na definição de um recurso mineral inicial. (Foto: IA; Fonte: CNN)

