Decisão de Dino derruba ações de bancos na B3

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O principal índice da bolsa brasileira opera em forte baixa nesta terça-feira (19), influenciado especialmente pelo desempenho negativo das ações dos grandes bancos. Por volta das 14h20, o Ibovespa recuava 1,92%, aos 134.680,20 pontos, devolvendo parte dos ganhos registrados na véspera.

As maiores pressões de queda vinham do setor financeiro. No mesmo horário, Banco do Brasil recuava 4,41%, Bradesco 3,18%, BTG Pactual 3,46%, Itaú 2,86% e Santander 2,82%.

Segundo analistas ouvidos pela CNN Brasil, o movimento do mercado está diretamente ligado à decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciada na segunda-feira (18). No despacho, o magistrado determinou que leis ou decisões judiciais de outros países não produzem efeitos no Brasil sem validação da Justiça brasileira.

Embora não cite especificamente a Lei Magnitsky, a medida foi interpretada como uma reação às sanções impostas pelos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes no final de julho – o que inclui eventual bloqueio de contas em território norte-americano.

Para Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, a decisão colocou os bancos em uma situação delicada. “Isso coloca as instituições financeiras que têm operações fora do país em uma encruzilhada”, afirmou. Segundo ele, os bancos agora precisam decidir entre seguir a orientação do STF ou enfrentar possíveis punições nos EUA. “Neste sentido, a queda nas ações é reflexo do pronunciamento de ontem”, avaliou.

Na mesma linha, Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos, diz que o mercado reagiu com cautela. “Os bancos estão tentando interpretar o que irá acontecer. O investidor, por sua vez, está preferindo realizar posição e ficar de fora da briga”.

Em relatório, o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, classificou o despacho como “inoportuno” e alertou que a postura pode elevar o risco-país e afastar investimentos. “As ocorrências de ontem testam a institucionalidade brasileira sem a menor necessidade”, escreveu.

Segundo Alison Correia, cofundador da Dom Investimentos, o mercado ainda tenta mensurar os efeitos da tensão entre os dois países. “Na dúvida, o investidor está comprando dólar e vendendo Bolsa”, afirmou.

Além da pressão vinda dos bancos, o Ibovespa também sente o impacto da queda nos preços do petróleo, que derruba as ações da Petrobras (PETR3 -1,22%; PETR4 -1,09%), e da desvalorização do minério de ferro, que afeta parte do setor siderúrgico. A Vale (VALE3), no entanto, registrava leve alta de 0,13%.

O dia também é marcado por aversão ao risco global em meio às tensões envolvendo a guerra na Ucrânia. O investidor busca proteção, o que se reflete na valorização do dólar. Às 14h58, a moeda norte-americana subia 0,89%, negociada a R$ 5,483. (Foto: STF; Fontes: CNN; Estadão)

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