O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, alertou nesta quarta-feira (4) que uma tentativa de reduzir artificialmente a taxa básica de juros, a Selic, pode produzir o efeito contrário ao esperado e provocar aumento dos juros de longo prazo.
Segundo o executivo, diminuir a taxa na força, sem melhorar as condições econômicas do país, não significa necessariamente baratear empréstimos e financiamentos para famílias e empresas.
A declaração foi feita durante uma teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre do banco, justamente no dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia sua decisão sobre a Selic.
Maluhy explicou que os juros cobrados em operações de prazo mais longo também são influenciados pelas expectativas do mercado sobre inflação e atividade econômica. Dessa forma, uma redução forçada da taxa básica, sem uma melhora dos fundamentos econômicos, poderia levar investidores a exigir retornos maiores para financiar o país, encarecendo o crédito.
“O risco que a gente corre é imaginar que a queda de juros de curto prazo […] possa ser feita na força bruta”, afirmou.
O executivo também demonstrou preocupação com fatores que podem pressionar a inflação, entre eles a desvalorização do real, a alta dos combustíveis, os efeitos da reforma tributária e eventuais mudanças na jornada de trabalho. Ele mencionou ainda projeções de economistas que apontam a possibilidade de a inflação chegar a 6% em 2027.
O presidente do Itaú também comentou o cenário econômico após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, investidores aguardam a definição de quem comandará o Ministério da Fazenda e quais serão as prioridades econômicas do próximo mandato.
“O mercado, por definição, ele não tem partido, né? Ele olha pra propostas concretas”, declarou Maluhy, ao destacar que ainda existem especulações sobre possíveis mudanças na condução da política fiscal.
O executivo defendeu que o Brasil recupere o grau de investimento, classificação concedida por agências internacionais de risco a países considerados mais seguros para receber recursos. Na avaliação dele, a conquista poderia ampliar a entrada de investimentos estrangeiros e reduzir os custos de financiamento da economia.
Maluhy também ressaltou que o equilíbrio das contas públicas precisa caminhar junto com as políticas sociais, sem que uma área seja colocada em oposição à outra.
“Tão importante quanto o social é o fiscal, ou tão importante quanto o fiscal é o social”, afirmou.
Na avaliação do presidente do Itaú, o Brasil poderá enfrentar condições econômicas mais adversas no próximo ano, com crescimento mais lento, possível elevação do desemprego e manutenção dos juros em patamares elevados por um período prolongado.
A inflação, segundo ele, será determinante para estabelecer quando haverá espaço para uma redução sustentável das taxas. Juros altos por mais tempo encarecem empréstimos, dificultam o pagamento de dívidas por famílias e empresas e podem desestimular novos investimentos.
As declarações foram feitas um dia depois de o Itaú divulgar lucro recorrente gerencial de R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 6,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A rentabilidade recorrente sobre o patrimônio líquido ficou em 23,6%. E mais: União Europeia manda que cidadãos preparem kits de sobrevivência para 72h. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: Times Brasil)
