A extensa fronteira entre Canadá e Estados Unidos sempre simbolizou estabilidade e cooperação, sendo frequentemente citada como uma das mais pacíficas do planeta.
No entanto, transformações recentes no ambiente político global levaram as Forças Armadas canadenses a refletirem sobre cenários que, até pouco tempo atrás, eram tratados apenas como especulação acadêmica.
De acordo com a Gazeta do Povo, a partir de informações publicadas pelo jornal canadense The Globe and Mail, o Exército do Canadá desenvolveu uma modelagem estratégica para analisar como o país reagiria a uma eventual ofensiva militar dos Estados Unidos — algo que não era debatido de forma estruturada há mais de um século. A existência desse estudo foi confirmada ao jornal por dois integrantes do alto escalão do governo canadense.
O material, no entanto, não configura um plano de guerra propriamente dito. Trata-se de um exercício conceitual voltado à análise de hipóteses extremas e de seus possíveis desdobramentos, sem definição de operações, movimentação de tropas ou logística militar.
Ainda assim, o trabalho sinaliza uma inflexão importante na percepção canadense sobre seu entorno estratégico, inclusive em relação ao seu principal aliado histórico.
Segundo o The Globe and Mail, o estudo parte do reconhecimento explícito da ampla superioridade militar dos Estados Unidos. As conclusões indicam que o Canadá teria pouca capacidade de resistência em um confronto convencional direto, estimando que suas forças não sustentariam a defesa por mais de uma semana, mesmo em condições favoráveis.
Diante dessa limitação, os estrategistas analisaram alternativas baseadas em guerra assimétrica. O modelo sugere o emprego de táticas semelhantes às utilizadas por grupos afegãos contra a União Soviética e, posteriormente, contra tropas norte-americanas, com foco em ações descentralizadas e prolongadas.
Nesse contexto, a defesa canadense se apoiaria em emboscadas, sabotagens e operações conduzidas por pequenas unidades, possivelmente compostas por forças paramilitares ou civis armados.
Após a perda do controle territorial tradicional, a resistência ocorreria de forma dispersa, explorando o conhecimento local e buscando desgastar o ocupante ao longo do tempo.
O objetivo central dessa estratégia não seria derrotar militarmente os Estados Unidos, mas elevar o custo político, humano e financeiro de uma eventual ocupação, tornando-a difícil de sustentar. O estudo também considera a possibilidade de Ottawa buscar apoio internacional, incluindo auxílio de potências europeias com capacidade nuclear, como Reino Unido e França.
Apesar da elaboração do exercício, autoridades canadenses ouvidas pelo jornal destacaram que a chance de uma ordem de invasão por parte do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é considerada remota. Um dos funcionários ressaltou que a relação entre os militares dos dois países permanece sólida.
Canadá e Estados Unidos continuam atuando lado a lado em iniciativas de defesa, tanto no âmbito da Otan quanto no Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (Norad). Ainda assim, o simples fato de esse tipo de cenário estar sendo analisado evidencia uma mudança significativa no clima estratégico e nas preocupações de segurança do governo canadense. E mais: MST anuncia envio de brigadistas à Venezuela e à faixa de Gaza. Clique AQUI para ver. (Fonte: Sociedade Militar)

