Calote bilionário: qual é a empresa que emprestou ao Master e foi à Justiça cobrar

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A crise envolvendo o Banco Master ganhou um novo capítulo internacional. A Tether, considerada a maior empresa de criptomoedas do mundo e responsável pela emissão do dólar digital USDT, acionou a Justiça de São Paulo para cobrar uma dívida bilionária ligada ao banco controlado por Daniel Vorcaro.

A empresa cobra o equivalente a R$ 1,64 bilhão, valor que inclui juros anuais e encargos por atraso. Segundo a ação, o montante é referente a um empréstimo de US$ 300 milhões concedido em março do ano passado a uma holding vinculada ao grupo financeiro.

O contrato previa vencimento apenas em março deste ano, mas cláusulas de antecipação teriam sido acionadas após o rebaixamento da nota de crédito do Banco Master no ano passado.

Na ação judicial, a Tether pede a penhora de uma conta vinculada ao recebimento de empréstimos consignados destinados a servidores públicos, usada como garantia da operação financeira. A empresa também solicita a localização de outros bens para assegurar o pagamento da dívida.

Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro informou que não comentará o caso.

Mesmo diante do calote alegado, a Tether afirmou que a situação não compromete a liquidez de suas criptomoedas, sustentando que seus ativos digitais possuem lastro em reservas reais, como dólar, euro e ouro.

Documentos anexados ao processo indicam ainda que o próprio Banco Master teria reconhecido a dívida em uma corte arbitral em Londres.

Outro ponto levantado pela multinacional é que, segundo ela, o contrato foi firmado com a Titan Holding, companhia sediada nas Ilhas Cayman e ligada a Vorcaro, mas formalmente fora da estrutura do conglomerado bancário.

A estratégia jurídica busca impedir que os ativos usados como garantia entrem na fila geral de credores do Master, especialmente após o agravamento da situação financeira da instituição.

Hoje, a disputa por recursos do banco já preocupa o mercado financeiro. Estimativas recentes do Fundo Garantidor de Créditos apontam que o rombo envolvendo o Master pode alcançar cerca de R$ 50 bilhões.

Segundo o contrato citado no processo, o empréstimo foi garantido por cédulas de crédito bancário ligadas à operação Credcesta, linha de consignado para servidores públicos operada pelo próprio banco. Os pagamentos desses contratos eram direcionados mensalmente para uma conta usada como garantia da operação com a Tether.

Os recursos foram liberados em duas etapas: US$ 100 milhões em março de 2025 e outros US$ 200 milhões poucos dias depois.

A multinacional afirma que, a partir de agosto, as empresas ligadas ao grupo deixaram de pagar até mesmo a rolagem mensal da dívida. O valor principal também não teria sido quitado.

Além do rebaixamento da nota de crédito promovido pela agência Fitch, o contrato previa vencimento antecipado em situações como inadimplência, perda de autorização do Banco Central, descumprimento de regras regulatórias ou liquidação da instituição — cenários que passaram a rondar o Master após o avanço das investigações da Polícia Federal.

O banco já vinha sendo monitorado pelas autoridades desde que a PF revelou, em novembro, investigações envolvendo operações financeiras suspeitas.

As conexões do Master com o setor de criptomoedas remontam a 2019, quando Daniel Vorcaro assumiu o controle da instituição, ainda chamada de Banco Máxima. A partir dali, o banco ampliou fortemente suas operações de câmbio ligadas a criptoativos.

A instituição também apareceu no radar da Operação Colossus, da Polícia Federal. Segundo as investigações, o então Banco Máxima teria realizado remessas de US$ 531 milhões para uma empresa suspeita de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital e para o grupo Hezbollah. E mais: O ‘pedido’ de Alcolumbre a Lula antes da rejeição de Messias. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP)

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