O banqueiro brasileiro que se reuniu com Trump para pedir fim das sanções a Moraes

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Em meio às tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e às articulações nos bastidores do poder, um dos principais nomes do sistema financeiro brasileiro atuou diretamente junto ao governo norte-americano para tentar reduzir os impactos de medidas que vinham afetando a economia dos dois países.

A interlocução envolveu tanto o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros quanto as sanções impostas a um ministro do Supremo Tribunal Federal, e antecedeu decisões que mudaram o rumo dessas medidas.

O banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, discutiu com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, o aumento de tarifas impostas a produtos brasileiros e as sanções aplicadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky. A informação é da colunista Mônica Bergamo, da Folha de SP. (continua)

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(segue) O encontro ocorreu em 18 de novembro e, dois dias depois, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou a suspensão do chamado “tarifaço”.

Nesta sexta-feira (12), o governo dos EUA também retirou Alexandre de Moraes da lista de pessoas sancionadas pela Lei Magnitsky. Segundo relatos, André Esteves comunicou os desdobramentos das conversas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a integrantes do STF.

Durante a reunião, o banqueiro argumentou que as tarifas prejudicavam não apenas o Brasil, mas também a economia norte-americana, ao pressionarem a inflação nos Estados Unidos. Ele teria ressaltado ainda que o cenário brasileiro é de normalidade institucional, afastando a narrativa de instabilidade política.




Outro ponto levantado foi o impacto das sanções sobre o sistema financeiro. Bancos brasileiros com operações nos EUA ficariam obrigados a cumprir as regras da Lei Magnitsky, o que poderia gerar um impasse: seguir a legislação norte-americana e encerrar contas de um ministro da Suprema Corte brasileira poderia resultar em conflito direto com o STF.

Lula e outros integrantes do governo avisaram ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que o governo de Donald Trump já se preparava para suspender as sanções da Lei Magnitsky aplicadas contra Alexandre de Moraes. Ainda e acordo com Mônica, a primeira vez que Lula falou com os magistrados sobre a possibilidade foi em um jantar no dia 14 de outubro.

Oito dias antes, em 6 de outubro, Lula conversara com Trump por telefone, no primeiro diálogo mais longo entre os dois desde que os EUA subiram as tarifas contra produtos brasileiros para até 50%.




Lula disse que havia sinalizações concretas de que a Magnitsky, aplicada apenas contra Moraes e a mulher dele, Viviane Barci de Moraes, seria suspensa.

Empresários e banqueiros que tentavam atuar como ponte entre o governo Trump e Lula também informavam a ministros que as sanções poderiam ser suspensas, bem como as tarifas, já que elas encareciam os preços de produtos brasileiros nos EUA, ajudando a impulsionar a inflação. (Foto: reprodução; Fonte: Folha de SP)

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