Em apenas duas semanas, o MST ampliou sua mobilização nacional com a realização do chamado “Abril Vermelho”.
Segundo dados divulgados pelo próprio grupo nesta quinta-feira (16), as ações já alcançaram 13 estados e o Distrito Federal, reunindo cerca de 16 mil militantes em 20 cidades.
As atividades incluem ocupações de áreas classificadas pelo movimento como improdutivas, além de invasões de prédios públicos, como unidades do Incra, e a realização de marchas e protestos.
A mobilização integra a Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, que se encerra em 17 de abril — data que relembra os 30 anos do “Eldorado do Carajás”, no Pará, em 1996.
De acordo com o MST, o Pará concentrou a maior parte das ações, com manifestações simbólicas e marchas que reuniram cerca de 3 mil participantes.
Em outros estados, a atuação também foi diversificada. No Tocantins, famílias ligadas ao movimento ocuparam áreas que consideram públicas ou sob suspeita de irregularidades.
Já no Maranhão e na Paraíba, houve ocupação de prédios federais como forma de pressionar por medidas voltadas à reforma agrária.
Na Bahia, uma caminhada com mais de 2 mil pessoas percorreu aproximadamente 120 quilômetros até Salvador.
No destino final, representantes do movimento se reuniram com autoridades estaduais para apresentar reivindicações e discutir políticas públicas para o campo.
Outros estados do Nordeste, como Pernambuco e Ceará, registraram invasões de propriedades rurais, reunindo centenas de famílias que pedem desapropriação de terras e criação de assentamentos.
Em algumas dessas ações, também foi defendida a destinação de áreas para programas habitacionais. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, as mobilizações envolveram protestos em órgãos públicos, reuniões com representantes do poder público e participação em marchas.
Na capital federal, lideranças do MST participaram de atos com pautas mais amplas, incluindo demandas trabalhistas, e levaram suas reivindicações diretamente ao governo.
O movimento afirma que aproximadamente 145 mil famílias seguem acampadas no país, aguardando acesso à terra.
Em meio às ações, o MST reforçou sua estratégia de pressão por meio de ocupações e manifestações, o que aumenta a cobrança sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), historicamente alinhado ao grupo.
Apesar da proximidade política, a relação tem enfrentado atritos neste terceiro mandato, principalmente em razão da demora no avanço da reforma agrária. Em 2025, o movimento chegou a enviar uma carta ao presidente com críticas diretas à condução da política fundiária.
No documento, o MST afirmou: “Após quase três anos de Governo Lula, a Reforma Agrária continua paralisada e as famílias acampadas e assentadas se perguntam: ‘Lula, cadê a Reforma Agrária’”.
O texto também aponta: “A morosidade do Governo, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), só aumenta o desânimo e potencializa ainda mais os conflitos sociais”.
Procurado na ocasião, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) rebateu as críticas e destacou avanços na área. Em nota, a pasta declarou que “a verdade é que o governo Lula 3 caminha para bater recordes históricos na reforma agrária”.
O ministério acrescentou: “Ao contrário do que diz a carta do MST, a reforma agrária no Brasil retomou o ritmo dos dois primeiros governos do presidente Lula. Em 2025 foram obtidos e disponibilizados 13.944 novos lotes para assentamentos, número comparável aos dos governos Lula 1 e 2”.
Ainda segundo o MDA, desde 2023 foram incorporados 17.297 lotes e investidos R$ 1,1 bilhão na aquisição de terras para assentamentos no país. (Foto: EBC; Fonte: Gazeta do Povo)

