Pesquisa aponta avanço do conservadorismo entre os brasileiros em 2026

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O conservadorismo em temas ligados a costumes e valores morais avançou no Brasil em 2026, segundo a nova edição do Índice de Conservadorismo de Costumes, elaborado pela Ipsos-Ipec. O indicador chegou a 0,680, em uma escala de zero, que representa uma posição totalmente progressista, a um, correspondente ao conservadorismo máximo.

O resultado supera o registrado em 2025, quando o índice ficou em 0,652, e se aproxima dos níveis mais altos da série histórica: 0,686 em 2016 e 0,689 em 2018.

A mudança também aparece na distribuição dos entrevistados por grau de conservadorismo. A parcela classificada no grupo de alto conservadorismo cresceu seis pontos percentuais em um ano, passando de 49% para 55% entre 2025 e 2026.

Entre os temas avaliados, o aborto continua sendo o que concentra a maior resistência a mudanças na legislação. Apenas 17% dos entrevistados se declararam favoráveis à legalização, enquanto 74% afirmaram ser contrários à medida. O levantamento indica que essa posição permaneceu praticamente estável em comparação com pesquisas anteriores.

O apoio à prisão perpétua para crimes hediondos também aumentou. A proporção de brasileiros favoráveis à medida passou de 72% em 2025 para 78% neste ano. No sentido oposto, o percentual dos que rejeitam a proposta recuou de 21% para 16%.

A redução da maioridade penal registrou movimento semelhante. O apoio à proposta avançou seis pontos percentuais, alcançando 71% dos entrevistados. Já a parcela contrária caiu de 28% para 23% no intervalo de um ano.

A pena de morte, por sua vez, passou a contar com maioria favorável nesta edição da pesquisa. Ao todo, 52% dos participantes apoiam a medida, enquanto 40% se posicionam contra. O percentual de oposição caiu nove pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.

No tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo, os posicionamentos ficaram divididos. Tanto o grupo favorável à união quanto o contrário registraram 41% das respostas. Em comparação com o ano passado, a rejeição diminuiu seis pontos percentuais, enquanto o apoio aumentou três pontos.

Armas de fogo

A pesquisa também investigou as posições dos brasileiros sobre a flexibilização das regras para armas de fogo e o porte desses equipamentos. Nos dois casos, a maioria se declarou contrária, embora com percentuais relativamente próximos: 51% rejeitam a flexibilização e 58% são contra o porte. Ambos os indicadores recuaram três pontos percentuais em relação à edição anterior.

Jovens adultos, mulheres e população de maior renda

O avanço do conservadorismo foi observado em diferentes segmentos da população, mas algumas faixas apresentaram variações mais expressivas. Entre os grupos etários, a maior alta ocorreu entre brasileiros de 25 a 34 anos. Nessa faixa, o índice passou de 0,643 em 2025 para 0,696 em 2026, uma elevação de 0,053 ponto.

As mulheres também registraram aumento no indicador. Depois de estarem entre os segmentos que mais contribuíram para a redução do conservadorismo em 2025, elas passaram de 0,619 para 0,650 neste ano, uma alta de 0,031.

Entre as faixas de renda, o maior crescimento foi observado entre pessoas com renda familiar superior a cinco salários mínimos. O índice avançou de 0,665 para 0,708, variação de 0,043 ponto. Com isso, o grupo atingiu o maior nível de conservadorismo da série histórica.

Regionalmente, Norte e Centro-Oeste apresentaram o avanço mais acentuado entre os segmentos analisados. O indicador dessas regiões subiu de 0,643 para 0,710, um aumento de 0,067 ponto. O Sudeste foi a única região a registrar queda, com o índice recuando de 0,669 para 0,659.

Metodologia

A Ipsos-Ipec entrevistou 2 mil brasileiros em 130 municípios, entre 9 e 13 de setembro. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. E mais: Agora: Flávio anuncia voto a favor do fim da escala 6×1. Clique AQUI para ver. (Foto: IBGE; Fonte: Exame)

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