Augusto Cury apoia Flávio Bolsonaro no 2º turno

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, confirmou nesta quinta-feira (8) que assinou um termo de compromisso para incorporar oito propostas do psiquiatra, escritor e ex-candidato presidencial Augusto Cury (Avante) ao seu programa de governo.

A assinatura foi uma condição estabelecida por Cury para declarar apoio ao parlamentar na disputa pelo Palácio do Planalto.

O acordo foi firmado após uma conversa por videochamada entre os dois, que ainda não haviam se encontrado diretamente durante a campanha.

Cury encaminhou ao senador um documento com suas prioridades para o país, e Flávio afirmou ter aceitado integralmente as propostas. A adesão foi anunciada pelo candidato do PL durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais.

Flávio declarou que pretende se empenhar para cumprir os compromissos assumidos com Cury e também com os partidos que aderiram à sua candidatura.

O termo estabelece diretrizes nas áreas econômica e social, além de compromissos com transparência, responsabilidade fiscal e respeito às instituições democráticas. O documento não prevê distribuição de cargos ou benefícios pessoais em troca do apoio.

O primeiro ponto do acordo trata do fim da reeleição presidencial. Flávio afirmou que já apresentou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o tema e reiterou que pretende exercer apenas um mandato, com duração de quatro ou cinco anos.

“Eu só falo isso porque essa definição vai acontecer no Congresso Nacional, eles é que vão falar isso”, explicou, ressaltando que a decisão dependerá dos parlamentares.

Na educação, o documento prevê a valorização salarial dos professores e assistência à saúde mental dos profissionais. Flávio também defendeu a criação de salas de acolhimento para estudantes com autismo e apontou dificuldades enfrentadas pelas escolas para atender alunos que necessitam de acompanhamento especializado. “O professor não sabe como é que lida com aquilo, tem que ligar para a mãe do aluno”, exemplificou.

Para a saúde, a proposta é criar uma rede pública de telemedicina integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS), com utilização de inteligência artificial para ajudar a reduzir as filas de consultas com médicos especialistas.

O acordo também contempla medidas de combate à violência doméstica e de ampliação da autonomia financeira das mulheres vítimas de agressões. Ao comentar o tema, Flávio mencionou a Casa da Mulher Brasileira e citou iniciativas de proteção que pretende priorizar a partir de 2027.

Na área econômica, as propostas incluem apoio às cooperativas, fortalecimento da agricultura familiar e linhas de financiamento para microempresas.

O senador defendeu o uso da Caixa Econômica Federal para ampliar o acesso ao crédito, oferecer qualificação profissional e facilitar a formalização de pequenos empreendimentos em comunidades de baixa renda. Segundo ele, o banco poderá “ser o Itaú da favela, ser o Bradesco da periferia”.

O documento prevê ainda a meta de dobrar a produção brasileira de alimentos nos próximos dez anos. Para isso, Cury propõe investimentos em tecnologia, irrigação sustentável, crédito rural e infraestrutura. Flávio concordou com a iniciativa e criticou o governo Lula, citando o endividamento dos produtores rurais e a falta de segurança jurídica no campo.

O último compromisso trata da pacificação nacional. O candidato do PL afirmou que pretende governar para brasileiros de diferentes posições políticas, sem perseguição a adversários. “Não vou olhar para trás, vou quebrar os retrovisores. Ganhamos a eleição? É olhar para frente e cuidar de todos os brasileiros”, declarou.

Flávio também avaliou que as propostas de Cury são compatíveis com ideias que já defendia durante a campanha. O acordo, portanto, formaliza a incorporação dos oito pontos ao programa político apresentado pelo senador.

Cury terminou o primeiro turno, realizado no domingo (4), na terceira colocação da disputa presidencial, com 3.448.569 votos, equivalentes a 2,89% dos votos válidos. O resultado ficou à frente dos obtidos por Renan Santos (Missão), que recebeu 2,24%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 2,18%. Apesar disso, o escritor não conseguiu avançar para o segundo turno.

O desempenho presidencial não se traduziu em crescimento da bancada federal do Avante. A legenda elegeu cinco deputados federais, dois a menos do que em 2022, sendo três pela Bahia, um por Minas Gerais e um por Pernambuco. O partido também conquistou 17 cadeiras nas Assembleias Legislativas, mas não elegeu senadores nem governadores.

Além da redução na bancada, o Avante não atingiu os requisitos da cláusula de desempenho para a Câmara dos Deputados.

O partido recebeu cerca de 1,8 milhão de votos para deputado federal e poderá perder acesso ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de propaganda eleitoral. A legenda havia cumprido as exigências nas eleições de 2022.

 

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