O governo Lula anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de aproximadamente 15% nos valores do Bolsa Família. A mudança começa a valer na folha de outubro e elevará o benefício mínimo pago às famílias de R$ 600 para R$ 691.
Já o valor médio recebido pelos beneficiários passará de R$ 675 para R$ 777. O impacto estimado nas contas públicas é de R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e de cerca de R$ 22 bilhões no ano seguinte.
De acordo com o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o governo considera que existe espaço fiscal para absorver o aumento nos dois exercícios.
A avaliação da equipe econômica é que não será necessário promover um bloqueio adicional de despesas no próximo relatório de receitas e despesas primárias. Atualmente, há R$ 17,9 bilhões em despesas bloqueadas.
Moretti afirmou que parte dos recursos necessários será obtida por meio do remanejamento de despesas que apresentaram valores disponíveis no Orçamento. Segundo o ministro, a principal fonte de espaço fiscal será a área da Previdência Social, em razão das economias obtidas com a redução da fila de espera do INSS.
“O impacto para esse ano, a partir da folha de outubro, é de R$ 5,8 bilhões. Para ano que vem, é em torno de R$ 22 bilhões. Nós vamos ajustar a peça orçamentária de 2027 para que dentro do impacto fiscal que nós temos, a gente acomode o reajuste do Bolsa Família”, afirmou Moretti.
O reajuste será aplicado aos diferentes componentes que formam o pagamento das famílias. O Benefício de Renda de Cidadania passará a ser de R$ 164 por integrante.
O Benefício Complementar poderá elevar o pagamento da família até o piso de R$ 691, enquanto o Benefício Primeira Infância será de R$ 173 por criança com até sete anos incompletos. Já o Benefício Variável Familiar ficará em R$ 58 por integrante que se enquadre nas condições previstas pelo programa.
Segundo o governo, a correção acompanha a inflação acumulada desde o início da atual estrutura do Bolsa Família. O ministro afirmou que a legislação permite a reposição inflacionária para preservar o poder de compra das famílias atendidas pelo programa. O benefício não recebia reajuste desde março de 2023.
A alteração também exigirá uma revisão da proposta orçamentária de 2027, que já havia sido encaminhada ao Congresso sem previsão de reajuste do Bolsa Família. O projeto enviado em agosto reservava R$ 157,1 bilhões para o programa e mantinha o benefício mínimo em R$ 600.
O anúncio foi feito 17 dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. No mesmo período, pesquisas eleitorais vêm registrando uma disputa próxima entre Lula e Flávio Bolsonaro em simulações de segundo turno.
A coincidência temporal entre o reajuste e o calendário eleitoral foi registrada por diferentes veículos de imprensa, mas a justificativa apresentada pelo governo para a medida é a reposição inflacionária e a existência de espaço fiscal para financiar o aumento. E mais: Veja como o Governo Lula conseguiu redução bilionária de juros a empresas que confessaram corrupção na Lava Jato. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: CNN)

