O mercado de imóveis de alto padrão e luxo de São Paulo perdeu força em 2026. A combinação entre juros elevados, maior volume de unidades disponíveis e incertezas sobre a economia brasileira tem levado até consumidores de alta renda a adiar a aquisição de novas propriedades.
Dados da Brain Inteligência Imobiliária mostram que as vendas de apartamentos desse segmento diminuíram 39% no primeiro semestre, na comparação com os seis primeiros meses de 2025.
No mesmo período, o número de lançamentos apresentou uma retração ainda maior, de 53%. No segundo trimestre, especificamente, a redução das vendas chegou a 53%. A pesquisa foi divulgada com exclusividade pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
A desaceleração ocorre após um período de forte expansão da oferta. Nos últimos cinco anos, as incorporadoras chegaram a dobrar o volume de lançamentos de imóveis voltados ao público de maior poder aquisitivo.
O problema é que existe um limite para a quantidade de famílias capazes de adquirir propriedades nessa faixa de preço.
O valor médio dos apartamentos de alto padrão atingiu R$ 2,9 milhões, uma valorização de 47% em apenas um ano. No segmento de luxo, o preço médio chegou a R$ 10,8 milhões, após uma alta de 24% no período.
Diferentemente do mercado residencial convencional, esse consumidor não costuma comprar um imóvel por necessidade.
Em geral, trata-se de uma família que já possui residência própria e decide investir em uma nova propriedade pelo interesse em atributos específicos, como localização privilegiada, projeto arquitetônico, tamanho e distribuição dos ambientes, estrutura de lazer ou a associação do empreendimento a marcas de luxo.
Com a redução no ritmo das vendas, as incorporadoras começaram a ajustar a oferta para evitar que o estoque de imóveis continue crescendo.
Uma das empresas que adotaram essa estratégia foi a Even, que decidiu desacelerar novos projetos diante da avaliação de que o cenário se tornou mais desafiador, principalmente pela permanência dos juros em níveis elevados e pelo aumento dos custos dos insumos.
A companhia colocou dois empreendimentos no mercado durante o primeiro semestre e optou por postergar o lançamento de um terceiro.
A Benx também passou a agir com maior cautela. Embora tenha mantido os projetos de lançamento que já estavam previstos, a incorporadora adiou algumas aquisições de terrenos, deixando esses investimentos para um momento considerado mais favorável. E mais: “Proximidade” com Lula: mensagens de Vorcaro revelam bastidores do Banco Master. Clique AQUI para ver. (Foto: PixaBay; Fonte: InfoMoney)

