O advogado-geral da União, Jorge Messias, avalia que o relatório (não-probatório) da Polícia Federal utilizado por Alexandre de Moraes em uma ofensiva contra o colega André Mendonça teria sido elaborado como uma forma de retaliação. A avaliação foi transmitida por Messias em conversas reservadas com pessoas próximas, conforme reportagem da Folha de SP.
Segundo o ministro, a PF teria reagido ao fato de ele não ter atendido a uma solicitação da corporação para contestar medidas determinadas por Mendonça no inquérito que apura fraudes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Nas conversas, Messias também teria classificado como uma “vergonha” as menções feitas a seu nome no documento. Procurado para comentar o conteúdo do relatório, o advogado-geral da União informou que não faria manifestações sobre o assunto.
Antes do agravamento do conflito dentro do Supremo, Messias vinha participando de articulações para tentar encontrar uma solução para a crise provocada pela divulgação de novas mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
A tentativa de conciliação envolveria uma negociação nos bastidores. A proposta seria encaminhar novamente à Polícia Federal o relatório que faz referências a Moraes e, em contrapartida, buscar o encerramento do inquérito das Fake News — investigação que posteriormente acabou sendo utilizada por Moraes em medidas contra Mendonça.
A interlocutores, diz o Globo, Messias também teria relatado enxergar uma aproximação entre Moraes, o ministro Flávio Dino e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Na avaliação atribuída ao AGU, os três estariam interessados em enfraquecê-lo politicamente após sua decisão de não seguir a orientação da PF para questionar medidas tomadas por Mendonça no caso das fraudes no INSS.
A relação entre Messias e Mendonça ganhou relevância ainda por outro motivo. O ministro do STF esteve entre os principais apoiadores da indicação de Messias para uma vaga na própria Corte. A nomeação, porém, foi rejeitada pelo Senado em abril deste ano, em uma derrota considerada significativa para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A votação também teria aproximado, nos bastidores, diferentes grupos políticos, entre eles aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro no Congresso, o próprio Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O relatório da Polícia Federal citado no episódio apresenta quatro possíveis explicações para a decisão de Messias de não adotar medidas contra Mendonça.
O documento menciona a preservação da relação política com o relator, uma eventual convicção jurídica de que a medida não seria cabível, a cautela diante do desgaste de enfrentar um ministro do STF e, por fim, a avaliação sobre a “oportunidade política do Executivo”. E mais: Janones publica retratação a Nikolas Ferreira. Clique AQUI para ver. (Foto: Ag. Senado; Fonte: O Globo)

