O Ministério Público Eleitoral pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) que rejeite o registro de candidatura de Vanessa da Silva Oliveira, do PL, que pretende disputar uma vaga de deputada federal usando o nome de urna “Negona do Bolsonaro”.
Em manifestação apresentada nessa quarta-feira (26), a Procuradoria Regional Eleitoral afirmou que a candidata manteve uma irregularidade já apontada pela Justiça Eleitoral ao insistir no uso do sobrenome do ex-presidente Jair Bolsonaro. O TRE-RJ já havia proibido Vanessa de utilizar o mesmo nome nas eleições municipais de 2024.
Segundo o procurador Gustavo Magno Goskes Briggs de Albuquerque, a utilização de “Negona do Bolsonaro” continua irregular e impede o deferimento do registro. Ao final da manifestação, ele pediu expressamente o indeferimento da candidatura.
O MP Eleitoral também afirmou que a defesa de Vanessa teria omitido “dolosamente” que o TRE-RJ já havia analisado e rejeitado, em 2024, o uso do nome pela mesma candidata.
Para sustentar a posição, o procurador citou o julgamento anterior, no qual foi discutido o risco de o nome provocar dúvidas sobre a identidade da candidata. Em um dos votos mencionados na manifestação, um desembargador afirmou que “Bolsonaro é um nome de família” e que seu uso por terceiros poderia levar o eleitor a acreditar que o candidato pertence à família do ex-presidente.
Na avaliação do MP, Vanessa “não pertence à família Bolsonaro” e não haveria justificativa para utilizar o sobrenome na urna “a não ser para incutir no eleitorado falsa percepção sobre sua pessoa”.
A Procuradoria também rejeitou o argumento de que “Negona do Bolsonaro” seria uma forma de representar a identidade política da candidata. Segundo o órgão, o alinhamento com o ex-presidente pode ser demonstrado por meio do partido, da propaganda eleitoral ou até mesmo de eventual apoio de Bolsonaro, mas não pela utilização do sobrenome dele no nome de urna.
Em sua defesa, apresentada ao TRE-RJ em um documento de oito páginas, Vanessa afirmou que “Negona do Bolsonaro” não foi criado especificamente para as eleições de 2026. Segundo ela, o apelido é utilizado publicamente desde 2018.
A candidata disse que o nome surgiu durante sua atuação em defesa de pautas conservadoras e de direita e de posições políticas alinhadas ao ex-presidente. Com o passar dos anos, afirmou, o apelido teria se tornado conhecido entre seus apoiadores em eventos, manifestações e redes sociais.
Após o TRE-RJ questionar a utilização de “Negona do Bolsonaro”, Vanessa reagiu e levantou uma comparação política. A candidata perguntou se receberia o mesmo tratamento caso tivesse escolhido o nome de urna “Negona do Lula”. E mais: O que dizem as pesquisas do ‘Centrão’ sobre a disputa entre Flávio e Lula. Clique AQUI para ver. (Foto: redes sociais; Fonte: Metrópoles)

