Os Correios registraram prejuízo de aproximadamente R$ 5,4 bilhões nos primeiros seis meses de 2026, segundo dados preliminares de um balancete contábil revelados pelo g1. Somente no segundo trimestre, o resultado negativo ficou em torno de R$ 2,2 bilhões.
O balancete é um documento contábil provisório utilizado para apresentar a situação financeira de uma empresa em determinado período. Os números ainda não foram oficialmente divulgados pela estatal e podem passar por alterações durante o processo de fechamento e consolidação das demonstrações financeiras.
Entre janeiro e junho, a receita dos Correios permaneceu praticamente estável na comparação com o mesmo período de 2025. O faturamento passou de R$ 8,18 bilhões para R$ 8,16 bilhões, uma redução de aproximadamente R$ 28,2 milhões.
As despesas, por outro lado, apresentaram uma redução mais significativa. O total caiu de R$ 13,5 bilhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 12,4 bilhões neste ano, uma diferença de cerca de R$ 1,1 bilhão.
O resultado também ficou abaixo do que havia sido projetado pela própria empresa. A previsão era de que os gastos chegassem a R$ 14,8 bilhões no período. Na prática, foram R$ 1,2 bilhão inferiores à estimativa.
Embora o faturamento total tenha apresentado leve retração, algumas áreas dos Correios tiveram crescimento no semestre.
O destaque foi o segmento de serviços de logística oferecidos a empresas, que inclui etapas como recebimento dos pedidos, preparação das encomendas e envio dos produtos aos consumidores. A receita da atividade mais que dobrou, passando de R$ 204,9 milhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 422,8 milhões em 2026.
Também houve crescimento nas receitas relacionadas a mensagens, malotes e serviços de conveniência.
Na contramão, o segmento de encomendas apresentou queda, com a receita recuando de R$ 4,77 bilhões para R$ 4,58 bilhões. O setor internacional teve uma retração ainda mais expressiva: passou de R$ 815,2 milhões para R$ 354,8 milhões.
Os serviços relacionados a encomendas internacionais, que anteriormente chegaram a representar 22,2% da receita dos Correios, agora correspondem a cerca de 4,3% do faturamento total da estatal no semestre.
A queda dá continuidade a uma tendência observada desde a implementação do programa Remessa Conforme (chamado, em 2023. A mudança afetou principalmente o volume e a movimentação de encomendas internacionais, com impacto sobre a receita obtida pelos Correios com o transporte desses produtos.
O programa passou a estabelecer cobrança de imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que anteriormente contavam com isenção. A medida ficou conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”.
Mesmo após mudanças posteriores na cobrança, a receita dos Correios com encomendas internacionais não apresentou recuperação significativa. O Remessa Conforme continua em vigor e o segmento permanece entre os que mais perderam participação no faturamento da estatal. (Foto: divulgação; Fonte: G1)

