O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira (21) que o governo brasileiro não pretende utilizar imediatamente a Lei da Reciprocidade para responder ao aumento de tarifas anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo ele, a medida deve ser tratada como um instrumento de defesa, mas aplicada com cautela e apenas no momento considerado adequado.
Após reunião com representantes de setores afetados pelas novas taxas, Alckmin afirmou que a prioridade do Brasil é buscar uma solução por meio do diálogo. Para justificar a postura diplomática, o vice-presidente citou a expressão popular de que uma reação de confronto pode acabar prejudicando os dois lados.
A posição do governo foi acompanhada por representantes da indústria. O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, defendeu que o país evite qualquer medida de retaliação comercial neste momento.
Segundo ele, uma resposta equivalente poderia dificultar as negociações com o governo americano e afastar o Brasil das discussões para resolver o impasse.
O tarifaço de 25% anunciado pelo governo do presidente Donald Trump entra em vigor nesta quarta-feira (22) e deve atingir aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. A estimativa é de impacto de US$ 7,4 bilhões, cerca de R$ 38 bilhões, afetando principalmente setores como madeira, minerais, produtos químicos e alimentos.
Durante o encontro com o governo federal, empresários solicitaram ajustes no programa de crédito emergencial Brasil Soberano para reduzir os efeitos das novas tarifas sobre as empresas.
Entre as propostas apresentadas estão a redução de juros, a possibilidade de isenção do IOF e o adiamento do pagamento de tributos federais para companhias prejudicadas.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o Brasil não pretende ceder às pressões externas e classificou o país como “vítima no processo”, mas disse que o governo não ficará “amedrontado diante da potência americana”.
A equipe econômica avalia mudanças no programa de apoio financeiro para ampliar a ajuda às empresas afetadas sem comprometer as metas fiscais.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende reforçar linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para dar suporte aos setores impactados. E mais: Eduardo rebate Caiado e dá resposta à altura a pré-candidato sobre green card. Clique AQUI para ver. (Foto: Palácio do Planalto; Fonte: Folha de SP)

