O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesse domingo (19) que pretende dispensar a equipe de segurança que seria disponibilizada pela Polícia Federal durante a campanha eleitoral de 2026.
Em uma publicação nas redes sociais, o parlamentar solicitou que os agentes que poderiam atuar em sua proteção sejam direcionados para as investigações sobre o esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
“Peço que os servidores da PF que estariam à minha disposição sejam destinados, imediatamente, para a investigação do roubo dos aposentados do INSS”, escreveu Flávio.
Segundo o senador, a decisão está relacionada a informações de que a falta de servidores teria prejudicado o andamento das análises de materiais obtidos durante as investigações sobre as fraudes previdenciárias.
Na mesma publicação, Flávio citou o nome de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele mencionou um depoimento que apontou supostos pagamentos realizados pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
“Se a desculpa oficial do chefe da PF para não investigar Lulinha foi a falta de efetivo, quero dar a minha contribuição”, afirmou o senador.
As alegações envolvendo possíveis pagamentos ainda estão sob investigação. A defesa de Fábio Luís nega qualquer irregularidade e afirma que ele nunca teve relação comercial com o empresário citado. O nome de Antônio Carlos Camilo Antunes surgiu em depoimentos e documentos analisados pela Polícia Federal no caso dos descontos fraudulentos.
Flávio Bolsonaro também fez críticas ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e afirmou temer que integrantes da corporação possam atuar de forma indevida dentro de sua campanha. O senador, porém, não apresentou provas para sustentar a acusação.
“Não confio no atual chefe da PF. Não vou correr o risco de ele próprio infiltrar pessoas na minha campanha“, declarou.
O parlamentar afirmou ainda que, caso seja eleito presidente, pretende ampliar a autonomia e a valorização dos policiais federais. Segundo Flávio, a partir de 2027, a instituição voltaria a priorizar investigações contra criminosos, em vez de, segundo ele, receber ordens para “perseguir opositores de Lula”.
A declaração ocorreu um dia antes do início da operação nacional da Polícia Federal voltada à proteção dos candidatos à Presidência nas eleições de 2026.
O planejamento da corporação prevê a mobilização de até 458 servidores, incluindo equipes de segurança, profissionais de inteligência, logística e responsáveis pela coordenação das ações. A estrutura foi organizada para atender simultaneamente até dez candidatos e acompanhar agendas eleitorais em diferentes estados.
O serviço de proteção poderá começar nesta segunda-feira (20), após a homologação das candidaturas nas convenções partidárias e mediante solicitação formal das campanhas.
A adesão ao esquema de segurança é opcional. Candidatos que inicialmente recusarem a proteção poderão solicitar o serviço posteriormente, caso mudem de decisão.
Cada candidato terá um planejamento específico, elaborado a partir de avaliações de risco, ameaças, deslocamentos e características dos eventos públicos. Entre os recursos previstos estão veículos blindados, equipamentos contra drones, reconhecimento facial, monitoramento de ameaças digitais e materiais para inspeções de segurança.
De acordo com a Polícia Federal, cerca de R$ 95 milhões foram destinados à operação, incluindo contratação de serviços, mobilização das equipes e aquisição de equipamentos. (Foto: reprodução; Fonte: Congresso em Foco)

