A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a condução diplomática do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante do aumento das tensões comerciais com os Estados Unidos. Em nota divulgada nesta quarta-feira (15), a entidade afirmou que a tarifa adicional de 25% aplicada pelos americanos sobre produtos brasileiros poderia ter sido evitada com uma abordagem diferente por parte do Executivo.
Segundo a federação, a postura adotada pelo governo brasileiro contribuiu para enfraquecer a relação construída entre os dois países ao longo de décadas.
“Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral”, afirmou a Fiesp.
A manifestação ocorreu após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmar a criação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros destinados ao mercado americano. A medida, no entanto, não inclui alguns setores específicos, como carne e café.
Para a Fiesp, a decisão prejudica a competitividade das empresas brasileiras por representar uma ação unilateral dos Estados Unidos. A entidade avaliou que uma postura baseada em critérios “técnicos e pragmáticos” poderia ter evitado o conflito comercial.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que o mercado norte-americano tem papel estratégico para a indústria brasileira, principalmente para produtos de maior valor agregado. Segundo ele, a nova tarifa representa um custo extra para empresas que já enfrentam um cenário interno marcado por elevada carga tributária e juros reais elevados.
Skaf classificou a sobretaxa como um “pedágio” adicional para os exportadores brasileiros, destacando que a medida poderá reduzir a competitividade dos produtos nacionais no mercado internacional.
A decisão dos Estados Unidos aumenta a pressão sobre o governo Lula, que busca alternativas diplomáticas para tentar reverter ou reduzir os impactos da tarifa sobre setores da economia brasileira.
Leia a íntegra da nota da Fiesp: “A Fiesp lamenta, com profunda preocupação, a aplicação de uma nova sobretaxa às exportações de produtos brasileiros ao mercado norte-americano.
A decisão é especialmente prejudicial por se limitar de forma unilateral ao Brasil, o que reduz significativamente a competitividade do país perante concorrentes globais Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral.
“A retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma condução técnica e pragmática, como buscou a Fiesp durante as audiências públicas nos EUA e outras oportunidades no último ano. ‘O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado.
Esse novo ‘pedágio’ imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios’, diz Paulo Skaf, presidente da Fiesp’. (Foto: divulgação; Fonte: Poder360)

