Portugal tem registrado um crescimento expressivo no número de médicos estrangeiros em atividade, e os profissionais brasileiros já correspondem a uma parcela significativa desse grupo. Atualmente, 4.808 médicos de outros países exercem a profissão de forma regular no país, sendo que 33,3% deles são formados no Brasil.
Dados da Ordem dos Médicos de Portugal mostram que 1.602 médicos brasileiros possuem autorização para trabalhar no país, número próximo ao dos profissionais espanhóis, que lideram historicamente o ranking com 1.649 registros.
Entre janeiro e novembro de 2025, 434 médicos estrangeiros receberam autorização para atuar em Portugal. Desse total, 138 eram brasileiros, o equivalente a 31,8% dos novos registros. Na sequência aparecem profissionais de Angola (22), Itália (12) e Espanha (11).
O presidente da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, relaciona o aumento da presença de profissionais estrangeiros ao crescimento da imigração no país. Segundo dados da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), Portugal possui atualmente cerca de 1,5 milhão de imigrantes vivendo de forma regular, sendo mais de 630 mil brasileiros.
Apesar do aumento da presença estrangeira, a maior parte desses médicos não atua diretamente no sistema público de saúde português. O setor privado concentra a maioria dos profissionais, impulsionado pelo crescimento da contratação de seguros de saúde e pela expansão da rede particular.
No Sistema Nacional de Saúde (SNS), em novembro de 2025, estavam registrados 969 médicos especialistas estrangeiros e 333 profissionais em formação especializada.
Segundo a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), 595 especialistas estrangeiros trabalhavam em hospitais públicos, enquanto 368 atuavam nos cuidados primários. Outros 237 internos estavam em hospitais e 96 seguiam em formação nos centros de saúde.
Para muitos médicos brasileiros, a mudança para Portugal não está relacionada apenas às oportunidades profissionais. A busca por maior segurança e qualidade de vida aparece como um dos principais motivos para a migração.
A pneumologista e intensivista brasileira Letícia Kawano, de 46 anos, que vive em Portugal há três anos, afirma que a proteção da família foi decisiva para sua mudança.
“Com certeza, não é pelo salário, pois, no Brasil, as remunerações são maiores. O que tem pesado bastante na decisão dos profissionais brasileiros da medicina de trocarem o Brasil por Portugal é a questão da segurança para a família”, afirmou ao portal ‘Público’, de Portugal.
Segundo a médica, Portugal também funciona como uma porta de entrada para outros países europeus. Após o reconhecimento do diploma, validação da especialidade e cumprimento dos requisitos locais, profissionais podem buscar oportunidades em outras nações da União Europeia.
Crescimento da presença brasileira
Com 1.602 médicos autorizados a exercer a profissão, o Brasil está próximo de ultrapassar a Espanha como principal fornecedor de profissionais estrangeiros para a medicina portuguesa.
Os números refletem tanto o aumento da imigração brasileira para Portugal quanto a procura dos próprios médicos por novas possibilidades profissionais e pessoais fora do Brasil.
Embora quase 5 mil médicos estrangeiros estejam regularizados no país, apenas uma parte está vinculada ao sistema público. A maior concentração permanece na rede privada, setor que tem apresentado maior expansão no mercado de saúde português. E mais: Agora: defesa de Bolsonaro responde Moraes sobre carta lida por Flávio. Clique AQUI para ver. (Foto: PixaBay; Fonte: Publico)

