A Holanda vem consolidando sua posição como um dos principais destinos europeus para estudantes estrangeiros, impulsionada por uma combinação de ensino em inglês, instituições bem avaliadas e forte conexão com o mercado de trabalho.
Dados recentes da organização Nuffic indicam que o país alcançou a marca de 131 mil alunos internacionais em 2025 — número mais que dobrado em relação aos 61,8 mil registrados uma década antes.
Atualmente, cerca de 16,6% dos universitários matriculados no país nasceram fora da Holanda. Um dos fatores que explicam esse avanço é a ampla oferta de cursos em inglês: são mais de 2.100 programas de ensino superior ministrados integralmente no idioma, o maior volume entre países europeus que não têm o inglês como língua oficial.
O desempenho acadêmico também contribui para a reputação do sistema educacional holandês. Instituições como a Universidade de Amsterdã, a Delft University of Technology e a Erasmus University Rotterdam figuram com frequência em rankings internacionais, como o QS World University Rankings, elaborado pela Quacquarelli Symonds.
Outro diferencial apontado por especialistas é a integração entre ensino e mercado. Segundo a OECD, a taxa de empregabilidade entre graduados no país supera 87%, uma das mais altas da Europa. Esse índice reflete um modelo educacional que combina teoria e prática, com participação ativa de empresas e projetos aplicados em áreas como tecnologia, sustentabilidade e logística.
Para estudantes brasileiros, além da formação acadêmica, o país oferece experiência internacional em um ambiente multicultural. Em cursos de mestrado, por exemplo, mais de 25% dos alunos são estrangeiros, de acordo com dados oficiais.
A localização estratégica e a conectividade também pesam na escolha. A cidade de Amsterdã funciona como um importante hub aéreo, com ligações diretas ao Brasil e acesso facilitado a diversos destinos europeus.
Nesse contexto, empresas do setor aéreo têm desenvolvido iniciativas voltadas a esse público. A KLM, por exemplo, disponibiliza tarifas específicas para estudantes internacionais entre 18 e 29 anos em voos de ida e volta na classe econômica. O benefício inclui condições mais flexíveis e franquia adicional de bagagem, mediante apresentação de documentação estudantil válida.
Segundo Sylvain Mathias, diretor comercial do grupo Air France-KLM para a América do Sul, a proposta leva em conta as particularidades da rotina de quem decide estudar fora. A iniciativa busca oferecer maior previsibilidade e adaptação às mudanças comuns nesse tipo de experiência internacional.
A Holanda está entre as economias mais desenvolvidas do mundo, com um Produto Interno Bruto (PIB) que supera US$ 1 trilhão e forte atuação nos setores de comércio, logística, tecnologia e serviços financeiros.
O país tem cerca de 17,5 milhões de habitantes e apresenta um dos mais altos níveis de qualidade de vida da Europa, refletido em um IDH de aproximadamente 0,94, considerado muito elevado. Outro destaque é a baixa desigualdade de renda: o índice de Gini gira em torno de 0,28 a 0,29, abaixo da média europeia.
Além disso, a Holanda se beneficia de uma localização estratégica, com o Porto de Roterdã — um dos maiores do mundo — e o aeroporto de Aeroporto de Amsterdã Schiphol funcionando como importantes hubs de entrada e distribuição no continente.
No campo social, os indicadores também são robustos. Cerca de 52% da população adulta (25 a 64 anos) possui ensino superior completo, segundo a OECD, e mais de 70% têm algum tipo de qualificação pós-secundária, incluindo formação técnica.
O sistema educacional é reconhecido pela qualidade e pela forte ligação com o mercado de trabalho, o que ajuda a manter a taxa de desemprego em níveis baixos, geralmente entre 3% e 4%.
Esse conjunto de fatores contribui para uma economia altamente produtiva e inovadora, sustentada por políticas públicas voltadas ao bem-estar social, saúde e educação, consolidando a Holanda como referência global em desenvolvimento humano e equilíbrio econômico. (Foto: PixaBay; Fonte: O Globo)

