O Itamaraty manifestou, nesta quarta-feira (22), insatisfação com a decisão do governo dos Estados Unidos, durante a gestão de Donald Trump, de determinar a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava na Flórida.
Para o governo brasileiro, a medida desrespeitou práticas diplomáticas consolidadas e regras de cooperação entre os dois países.
Segundo nota oficial, o policial exercia a função de oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, com base em acordos bilaterais.
O Itamaraty afirma que a interrupção das atividades ocorreu de forma imediata, sem aviso prévio ou abertura de diálogo com as autoridades brasileiras.
Diante do episódio, o Brasil decidiu adotar o princípio da reciprocidade, suspendendo também as atividades de um agente norte-americano em função semelhante no país.
“A representante da embaixada norte-americana foi informada, também verbalmente, que o governo brasileiro aplicará o principio da reciprocidade diante da decisão sumária contra o agente da Policia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso”.
A nota prossegue: “A medida tampouco observa a boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação.”
O caso está relacionado à detenção, na semana anterior, do ex-deputado Alexandre Ramagem em território norte-americano. Considerado foragido pela Justiça brasileira, ele havia sido alvo de um pedido de extradição.
A Polícia Federal do Brasil informou que a prisão ocorreu dentro de um contexto de cooperação internacional.
Por outro lado, autoridades dos Estados Unidos alegaram que a abordagem foi motivada por questões migratórias. Ramagem acabou sendo liberado dois dias depois, sem comunicação prévia ao governo brasileiro, e permanece no país enquanto aguarda a análise de um pedido de asilo.
Ao justificar a decisão envolvendo o delegado brasileiro, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que ele teria tentado “manipular o sistema de imigração” para contornar procedimentos formais de extradição.
O episódio elevou o nível de tensão entre os dois países e foi interpretado pelo governo brasileiro como um abalo na confiança mútua, especialmente no campo da cooperação policial e diplomática. E mais: Fim da ‘escala 6 x 1’ avança na Câmara; Saiba detalhes (Foto: Palácio do Planalto; Fonte: Metrópoles)

