A possibilidade de uso de tecnologia via satélite nas eleições gerais de outubro deste ano colocou a Starlink, empresa ligada ao bilionário Elon Musk, em posição de destaque na disputa por contratos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A informação foi levantada pelo UOL.
A companhia surge como forte candidata para fornecer conectividade a urnas eletrônicas e unidades da Justiça Eleitoral em regiões remotas, especialmente após a abertura do edital para novas soluções tecnológicas.
A expectativa dentro do processo licitatório é de redução significativa de custos, podendo chegar a até 50% em comparação ao pleito anterior, quando o serviço consumiu cerca de R$ 22 milhões. Um dos diferenciais do novo modelo é a autorização inédita para participação de empresas que operam satélites de baixa órbita, tecnologia considerada mais eficiente para áreas de difícil acesso.
Apesar disso, empresas interessadas na concorrência apontaram que, na forma inicial, o Termo de Referência criava barreiras que favoreciam diretamente a Starlink.
Diante das críticas, o TSE promoveu alterações no documento, retirando exigências consideradas restritivas, como o limite de latência de 200 milissegundos — um desempenho alcançado basicamente por satélites de baixa órbita.
Especialistas do setor explicam que satélites geoestacionários, utilizados nas eleições anteriores, operam a altitudes muito superiores e apresentam maior tempo de resposta, podendo chegar a 1,5 segundo.
Já as novas exigências técnicas, como interconexão entre satélites e uso de antenas específicas, também favoreciam sistemas mais modernos, embora concorrentes ainda não estejam plenamente operacionais no mercado.
Outro ponto que chama atenção envolve a segurança da transmissão de dados. Pela primeira vez, será permitido o uso de conexão via wi-fi com dispositivos móveis, desde que protegidos por VPN. Técnicos avaliam que o modelo anterior, com conexão exclusiva por equipamento fixo, oferecia maior controle.
O TSE, por sua vez, rejeita qualquer direcionamento no processo e afirma que o edital permite ampla concorrência entre diferentes tecnologias.
O tribunal também destacou que os provedores de conexão não têm acesso ao conteúdo dos dados transmitidos. Segundo o TSE, as informações já saem das urnas consolidadas e com assinatura digital, o que impede alterações indevidas.
Além disso, a corte ressalta a existência de múltiplos mecanismos de verificação. Ainda de acordo com o tribunal, “nenhuma comunicação de dados realizada pela Justiça Eleitoral nas eleições fica à mercê das empresas provedoras de telecomunicações. Mesmo que um provedor de telecomunicações decriptografe, o conteúdo do dado continua criptografado.”
Com o edital revisado, a disputa segue aberta. E mais: Gilmar dá seu voto sobre manutenção da prisão de Vorcaro. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: UOL)

