O mercado brasileiro de TV por assinatura atravessa um dos seus piores momentos desde o fim da década passada. Em 2025, o setor perdeu cerca de 1,6 milhão de clientes e encerrou o ano com 7,6 milhões de pontos ativos, uma retração de 17,7% em relação a 2024. O volume é o mais baixo desde 2009, quando havia 7,5 milhões de acessos no país.
A queda se torna ainda mais expressiva quando comparada ao auge do serviço. Em 2014, a TV paga contabilizava 19,6 milhões de assinantes. Isso significa uma redução de 61,1% no número de clientes ao longo de pouco mais de uma década.
Enquanto a TV por assinatura perde relevância, o consumo de conteúdo por plataformas digitais segue em alta. Dados da Kantar Ibope indicam que, em dezembro de 2025, os serviços de vídeo on-line responderam por 37,2% da audiência nacional — o maior índice já registrado.
No mesmo período, a TV aberta concentrou 55,8% da audiência, enquanto a televisão paga ficou com apenas 6,9% dos aparelhos sintonizados. O levantamento considera todos os tipos de dispositivos.
Entre as plataformas digitais, o YouTube liderou com ampla vantagem, alcançando 21,6% de participação na audiência. Na sequência aparecem Netflix, com 5,6%, e TikTok, com 5,0%.
A retração da TV por assinatura afeta diretamente o mercado de mídia e jornalismo, já que ao menos oito canais de notícias ainda dependem desse meio para distribuição.
Dados obtidos com exclusividade pelo Poder360 mostram que, ao longo de 2024, os cinco principais canais de notícias do país somaram uma audiência média diária de apenas 111.792 espectadores ao longo das 24 horas. Esse número tende a cair ainda mais à medida que o setor continua perdendo assinantes.
Esse público representa somente 0,05% da população brasileira, considerando os 212,6 milhões de habitantes apontados pelo Censo do IBGE. A GloboNews lidera o ranking, com média de 0,13 ponto na medição da Kantar Ibope, o equivalente a 60.554 espectadores simultâneos. Em seguida, CNN Brasil, Jovem Pan e Record News aparecem empatadas, cada uma com 0,03 ponto. A BandNews fecha a lista, com 0,02 ponto.
Apesar da retração do mercado, a operação da TV por assinatura segue altamente concentrada. Cinco empresas respondem por 95,7% dos acessos no país. A Claro lidera com 4.092.391 assinantes, o que representa 53,7% do total.
Em seguida estão a Sky, com 2.116.031 acessos (27,8%), a Vivo, com 733.292 (9,6%), a Mileto — que adquiriu parte da Oi — com 320.848 (4,2%) e a Telemidia, com 33.865 clientes (0,4%).
O cenário reforça a mudança estrutural no consumo de conteúdo audiovisual no Brasil, com o avanço acelerado do streaming e a perda contínua de relevância da televisão por assinatura tradicional. (Fonte: Poder360)

