Venezuelanos que fugiram do regime enviam carta com deboche a Maduro na prisão

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Nicolás Maduro recebeu uma carta logo em sua primeira semana de prisão. A correspondência foi enviada ao Centro de Detenção Metropolitano, em Nova York, onde o ex-ditador está detido.

O material foi organizado por uma estudante venezuelana de Relações Internacionais, residente nos Estados Unidos desde 2015. Ela reuniu mensagens de compatriotas e montou um documento de três páginas.



“Os venezuelanos te desejam um feliz ano”, diz o texto de abertura da carta, que foi divulgada pela jovem em seu perfil no X. “Uma carta de mensagens anônimas para Nicolás Maduro Moros. Que agora está em Nova York.”

A primeira página traz ainda um meme de um gato gargalhando, acompanhado das frases iniciais. O tom irônico marca o início do conteúdo enviado à cela.

Ao todo, a correspondência reúne 35 mensagens enviadas por usuários da rede social. Os recados variam entre deboche direto e relatos de sofrimento vividos durante o regime chavista. (continua)

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“Não há cela escura o suficiente para pagar a fome e o exílio de milhões”, afirma a primeira mensagem dirigida a Maduro. “Que sua única companhia seja sua consciência e que o destino lhe conceda uma vida longa, mas atrás das grades, para que veja, do seu esquecimento, como a Venezuela renasce sem você.”

Outros trechos relatam perdas pessoais e traumas associados à ditadura socialista. Há menções a mortes de familiares, escassez de alimentos e a saída forçada do país.

“Você me roubou minha cultura, minha pátria. Mas, hoje, a tomo de volta”, diz uma das mensagens incluídas na carta.

Alguns autores optaram por comentários curtos e sarcásticos. “Já não pode comer arepas”, “mano, faz frio nos EUA?” e “você pôde tomar seu copinho de petróleo antes de ir?” aparecem entre os recados.



A responsável pela iniciativa se identifica como “Storm”. Ela deixou a Venezuela com a família durante o período mais intenso da repressão comandada por Maduro. Em uma publicação no LinkedIn, ela descreveu a infância sob o regime.

 

“Nasci em um país que já era uma ditadura”, escreveu. “Antes de vir para os EUA, eu estava acostumada a fazer filas para comida, não conseguir pagar pão, não conseguíamos encontrar produtos para bebês para minha irmãzinha, e vi muitos assassinatos cometidos por militares na frente da minha escola.”

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No relato, ela afirma que a mãe foi agredida por um policial que tentou roubar seu relógio. O pai, segundo ela, foi perseguido e baleado diversas vezes.

A estudante também conta que a avó foi sequestrada por policiais em Caracas, que exigiram pagamento para libertá-la. A família teria sido ameaçada caso não entregasse 50 mil bolívares venezuelanos.

“Uma coisa que posso te dizer é que estou feliz que Maduro foi preso. Ele matou tantos, deixou muitos passar fome, torturou tantos. Doeu”, escreveu a jovem.



Ela também criticou discursos sobre uma suposta invasão estrangeira à Venezuela. “Toda essa ‘invasão’ pelo governo norte-americano não faz sentido para os venezuelanos porque já fomos invadidos nos últimos 20 anos por outros países que não vou nomear, mas que sei que vocês conhecem.”

Em outra publicação, feita em dezembro, a estudante comemorou a conclusão de um estágio de três meses no Congresso dos Estados Unidos e destacou sua trajetória acadêmica no país.

Ela concluiu o ensino médio em uma escola americana e atualmente cursa Relações Internacionais. Apesar disso, lamenta não poder retornar à Venezuela.

“Nestes dez anos não pude voltar à Venezuela”, escreveu. “O mais perto que podia chegar era Porto Rico”. Mesmo distante, a jovem afirmou sentir orgulho de representar seu país nos Estados Unidos. “Ajudo a um povo que me deu um lugar quando eu não encontrava o meu.” (Foto: reprodução; Fonte: OESTE)

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