Alexandre de Moraes determinou nesta terça-feira (26) o reforço do policiamento 24 horas nas imediações da residência do ex-presidente Bolsonaro (PL), em Brasília.
A medida foi adotada após um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que avalia haver suposto risco concreto de fuga do ex-chefe do Executivo, atualmente em prisão domiciliar desde 4 de agosto.
Na decisão, Moraes ordenou que a Polícia Penal do Distrito Federal “proceda ao monitoramento em tempo integral das medidas cautelares impostas” a Bolsonaro, “com destacamento de equipes para monitoramento em tempo real do endereço residencial do réu, onde cumpre prisão domiciliar”.
O magistrado também solicitou que o trabalho policial seja feito com “discrição”, deixando a critério das equipes a utilização ou não de fardas.
O ministro escreveu ainda: “O monitoramento realizado pelas equipes da Polícia Penal do Distrito Federal deverá evitar a exposição indevida, abstendo-se de toda e qualquer indiscrição, inclusive midiática, sem adoção de medidas intrusivas da esfera domiciliar do réu ou perturbadoras da vizinhança; ficando ao seu critério a utilização ou não de uniforme e respectivos armamentos necessários à execução da ordem”.
A decisão foi tomada após solicitação do líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), que alegou possibilidade de fuga do ex-presidente. Segundo ele, Bolsonaro poderia tentar buscar asilo político na Embaixada dos Estados Unidos, localizada a cerca de dez minutos de sua residência em Brasília.
Em manifestação feita na segunda-feira (25), a PGR já havia defendido a necessidade de vigilância permanente, destacando que “parece ao Ministério Público Federal de bom alvitre que se recomende formalmente à Polícia que destaque equipes de prontidão em tempo integral para que se efetue o monitoramento em tempo real das medidas de cautela adotadas, adotando-se o cuidado de que não sejam intrusivas da esfera domiciliar do réu, nem que sejam perturbadores das suas relações de vizinhança”.
Ao justificar o reforço da vigilância, Moraes também mencionou a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no exterior.
Para o ministro, a proximidade do julgamento sobre a suposta ‘tentativa de golpe de Estado’, marcado para começar em 2 de setembro, associada às “ações incessantes” do parlamentar nos Estados Unidos, reforçam o temor de que o ex-presidente tente deixar o país para escapar da aplicação da lei penal.
Com a decisão, Bolsonaro passará a ter sua residência monitorada em tempo integral por equipes especializadas, em um esquema que busca equilibrar segurança, discrição e respeito ao ambiente familiar. (Foto: STF; Fonte: Poder360)

