A fabricante de armamentos Taurus decidiu antecipar as férias de parte dos funcionários da unidade de São Leopoldo (RS), em mais uma tentativa de reduzir os prejuízos causados pela nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras.
A medida veio dias após a companhia anunciar a transferência de sua principal linha de montagem para os EUA. A decisão afeta, por ora, cerca de 40 trabalhadores ligados à produção de armas longas, como espingardas, carabinas e rifles, que integram a Companhia Brasileira de Cartuchos, do grupo Taurus. O grupo mantém operações em São Leopoldo e Montenegro, com cerca de 2,2 mil empregados no total.
De acordo com Valmir Lodi, presidente do sindicato STIMMME-SL, que representa os trabalhadores da região, a empresa justificou a pausa na produção pela suspensão temporária das exportações de armas longas.
No último dia 8, a Taurus comunicou que irá transferir a montagem da linha G — principal série de pistolas civis — do Brasil para os Estados Unidos. A mudança causou reação imediata no mercado: as ações da companhia recuaram, e a Taurus perdeu R$ 33 milhões em valor de mercado, fechando o dia com uma avaliação de R$ 705 milhões.
Apesar da transferência, Lodi minimizou o impacto sobre a operação brasileira. Segundo ele, o remanejamento afeta apenas 28 trabalhadores ligados diretamente à linha G.
Atualmente, o mercado norte-americano representa cerca de 90% das vendas da Taurus, com foco no segmento civil, através de distribuidores locais.
Desde que surgiram os primeiros rumores sobre a nova tarifa, a empresa passou a tomar medidas preventivas. O CEO global da Taurus, Salesio Nuhs, afirmou que desde abril a empresa vem reforçando estoques nos EUA e antecipando o envio de peças e componentes, como carregadores, para driblar a nova taxação.
Além do Brasil, a Taurus mantém unidades em Haryana (Índia) e Bainbridge (Geórgia, EUA). Nesta última, são produzidas cerca de 25% das armas da empresa, incluindo pistolas TX22 — voltadas ao uso esportivo e recreativo — e revólveres Heritage, linha incorporada pela empresa há mais de três décadas. (Foto: reprodução site; Fonte: O Globo)

