As retaliações que Lula estuda contra os EUA e devem escalar guerra comercial

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O governo Lula estuda responder às recentes sanções impostas pelos Estados Unidos a integrantes do Supremo Tribunal Federal com medidas de reciprocidade que envolvem desde restrições de entrada no país até ações de impacto econômico.

De acordo com reportagem de Igor Gadelha, do Metrópoles, ministros devem sugerir a Luiz Inácio Lula da Silva que adote restrições de visto contra membros do governo Donald Trump e executivos de grandes empresas de tecnologia com atuação no Brasil.

A proposta surge como reação direta à revogação dos vistos do ministro Alexandre de Moraes, seus familiares e outros magistrados do STF, anunciada na última sexta-feira (18) pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Segundo interlocutores do governo brasileiro, a retaliação poderia atingir figuras próximas a Trump e representantes de empresas como Google, Meta e X (antigo Twitter), acusadas de colaborarem com ações de censura determinadas pelo Supremo.

Além da medida diplomática, o Planalto avalia iniciativas mais duras, caso a crise se aprofunde. Entre as possibilidades está a limitação no envio de lucros e dividendos por multinacionais dos EUA com operações em território brasileiro — medida que divide opiniões dentro do próprio governo. Essa informação é do Estadão.

Conforme apurado pelo Estadão/Broadcast, essa discussão interna se intensificou após a operação da Polícia Federal que determinou o uso de tornozeleira eletrônica por Jair Bolsonaro, decisão assinada por Moraes.

A expectativa é de que os EUA, sob comando de Trump, adotem sanções adicionais contra o Brasil já a partir do dia 21, aumentando tarifas de importação e ampliando a pressão sobre setores estratégicos da economia.

Entre as ações avaliadas com mais atenção está a suspensão de patentes de medicamentos, que poderia afetar diretamente a indústria farmacêutica americana — uma das mais poderosas e influentes em Washington. Essa alternativa já vinha sendo analisada desde o fim do ano passado, quando Trump foi eleito, e voltou a ganhar força diante da nova escalada diplomática.

As medidas, porém, ainda carecem do aval final de Lula. Reportagens afirmam que, por ora, a prioridade é tentar esgotar o caminho da diplomacia. No entanto, caso não haja avanços concretos nas negociações até 2 de agosto, uma resposta ‘mais firme’ poderá ser oficializada.

Cerca de 4 mil empresas dos EUA operam atualmente no Brasil. Representantes desses grupos já expressaram ao vice-presidente Geraldo Alckmin preocupações sobre a possibilidade de mudanças no regime de repatriação de lucros, alegando que a estabilidade regulatória é fundamental para manter os investimentos no país.

A proposta de controle progressivo das remessas ainda está em discussão, sem definição sobre os critérios — se baseados nos lucros totais, no valor dos dividendos ou outro parâmetro técnico. A ideia, porém, não é proibir os envios, mas estabelecer maior vigilância e transparência no processo. (Foto: Palácio do Planalto)

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