O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou duramente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por ter buscado, por conta própria, uma saída diplomática para o aumento das tarifas americanas sobre produtos brasileiros, imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Em entrevista concedida nesta segunda-feira (14) à Folha de SP, Eduardo classificou a atitude de Tarcísio como desrespeitosa, alegando que ele teria ignorado canais mais eficazes para o diálogo com Washington.
“O Tarcísio utilizou os canais errados. O filho do presidente está nos Estados Unidos. O Tarcísio não tem nada que querer costurar por fora uma decisão que provavelmente vai chegar a mais um acordo caracu”, afirmou, em referência a uma expressão popular que indica prejuízo unilateral.
Segundo o parlamentar, ele e seus aliados são mais eficazes que o próprio Ministério das Relações Exteriores em lidar com o governo norte-americano.
“Nós já provamos que somos mais efetivos até do que o próprio Itamaraty. O filho do presidente, exilado nos Estados Unidos. Queria buscar uma alternativa lateral. É um desrespeito comigo”, afirmou.
Após a repercussão negativa do aumento tarifário de 50% decretado por Trump, Tarcísio moderou seu posicionamento e passou a defender uma solução negociada, destacando no sábado (12) a necessidade de “esforços conjuntos”. Na sexta-feira anterior (11), ele se reuniu com representantes da embaixada americana em Brasília para tratar do tema.
Eduardo Bolsonaro também sugeriu que Tarcísio e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), teriam recuado publicamente por pressão externa.
“Vieram a falar isso depois de declarações iniciais, muito mais firmes, e vieram a falar isso provavelmente depois de conversas de telefone, né? Não tenho como comprovar, mas eu acho que eles tomaram alguma pressão. Principalmente o Zema”, declarou.
Para o deputado, a única forma de o Brasil se livrar das tarifas é através de uma mudança de postura do Judiciário. “A única saída para o Brasil se livrar dessa tarifa é com o Alexandre de Moraes recuar”, disse, em referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal. E completou: “O que não é benéfico para o país é continuar jogando velhinha na cadeia.”
Atualmente afastado de suas funções parlamentares desde março, Eduardo afirmou que considera deixar o mandato de forma definitiva. Uma proposta para permitir sua atuação remota foi apresentada por apoiadores, mas não avançou. Ele também declarou que só pretende retornar ao Brasil quando deixar de haver risco de ser preso. “A minha data para voltar é quando [o ministro do STF] Alexandre de Moraes não tiver mais força para me prender”, concluiu. (Foto: reprodução vídeo; Fontes: Folha de SP; Poder360)

