A Polícia Civil do Rio Grande do Sul instaurou um inquérito para apurar possíveis práticas de discriminação religiosa atribuídas ao escritor e comunicador Eduardo Bueno, conhecido como Peninha.
A investigação está a cargo da Delegacia de Combate à Intolerância, em Porto Alegre, e tem como base declarações feitas em um vídeo publicado em seu canal no YouTube, o Buenas Ideias.
Na gravação, Bueno utiliza tom irônico ao comentar a participação política de evangélicos, sugerindo que fiéis deveriam permanecer apenas em atividades religiosas e defendendo, de forma jocosa, a proibição do voto desse grupo.
Em um dos trechos, ele afirma que evangélicos “não têm que votar” e que, ao participarem do processo eleitoral, acabam elegendo políticos que ele considera ‘prejudiciais’ ao país.
Para o delegado Vinícius Nahan, responsável pelo caso, o conteúdo ultrapassa os limites da crítica política. Segundo ele, ao defender que um grupo específico da população seja privado do direito ao voto com base na religião, as falas se enquadram como discriminação religiosa. Eduardo Bueno deverá ser intimado para prestar depoimento no mês de março.
A apuração teve início após uma notícia-crime apresentada pelo vereador de Porto Alegre Tiago Albrecht (Novo). Na avaliação do parlamentar, o episódio não se confunde com liberdade de expressão. “Trata-se de um ataque direto à dignidade de milhões de brasileiros que professam uma fé e têm assegurado, pela Constituição, o direito ao voto”, afirmou.
Procurado pela reportagem da Rádio Guaíba, Eduardo Bueno disse não ter sido oficialmente comunicado sobre o inquérito e rejeitou qualquer acusação de intolerância religiosa. Ele sustenta que suas declarações foram interpretadas fora de contexto e reforça que não discrimina credos.
O escritor afirmou ainda que seus vídeos costumam recorrer a exageros e figuras de linguagem. Segundo ele, a intenção não foi defender literalmente a exclusão de evangélicos do processo eleitoral, mas criticar o que considera um comportamento político conservador predominante entre esse segmento do eleitorado.
Bueno também declarou que sua oposição é direcionada a práticas que, em sua visão, ameaçam a democracia, e não à fé religiosa em si. Para ele, o eventual inquérito pode se transformar em espaço para um debate mais amplo sobre o impacto do voto religioso no cenário político contemporâneo. Precisamos de seu apoio. Clique AQUI para nos ajudar. (Foto: reprodução; Fonte: Rádio Guaíba)
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