Pesquisadores do Escritório Estadual de Preservação de Monumentos de Baden-Württemberg, na Alemanha, anunciaram a identificação de 31 naufrágios no Lago de Constança, área que faz fronteira com Áustria e Suíça. A descoberta integra a primeira investigação sistemática sobre monumentos subaquáticos realizada no local.
Os estudos começaram no início de 2024 e já avançaram em cerca de 75% das etapas previstas. Com base em levantamentos topográficos anteriores, foram registradas mais de 250 anomalias no fundo do lago.
Destas, 186 já foram analisadas com equipamentos como sonar de varredura lateral e veículos robóticos submersíveis (ROVs), confirmando a presença de dezenas de embarcações — desde barcos de recreio modernos até navios históricos.
Um dos achados mais significativos foi o de um veleiro cargueiro praticamente intacto, preservado em águas profundas, onde a baixa presença de mexilhões invasores impediu sua deterioração.
“Trata-se de uma raridade na arqueologia subaquática”, destacou a pesquisadora Alexandra Ulisch, lembrando que a embarcação fornece pistas sobre antigas técnicas de construção naval.
Outro destaque foi um campo de destroços contendo 17 barris de madeira, muitos deles ainda lacrados, possivelmente com inscrições originais. A origem do navio que os transportava ainda é um mistério. Também foram localizados cascos metálicos que podem pertencer ao SD Baden, pioneiro no transporte de passageiros no século 19, e ao SD Friedrichshafen II, afundado durante a Segunda Guerra Mundial.
Para a gerente do projeto, Julia Goldhammer, os avanços só foram possíveis graças a tecnologias de mapeamento batimétrico e de alta resolução. “Os resultados demonstram a relevância da abordagem metodológica”, afirmou.
Segundo ela, os naufrágios funcionam como “cápsulas do tempo”, capazes de revelar rotas comerciais, hábitos de navegação e aspectos do cotidiano das comunidades em torno do lago. O inventário final das descobertas deve ser concluído até 2027.
O Lago de Constança (em alemão, Bodensee) é um dos maiores e mais emblemáticos lagos da Europa Central, localizado na confluência entre Alemanha, Áustria e Suíça, sendo atravessado pelo rio Reno.
A primeira menção histórica ao lago remonta a 43 a.C., quando o geógrafo hispano-romano Pompônio Mela registrou a existência de dois lagos percorridos pelo Reno, nomeando-os de Lacus Venetus (atual Obersee) e Lacus Acronius (atual Untersee). Mais tarde, Plínio, o Velho utilizou a designação Lacus Brigantinus, em referência à cidade romana de Brigâncio, hoje conhecida como Bregenz, na Áustria.
Geograficamente, o lago marca a fronteira natural entre os três países: ao sul da Alemanha, a oeste da Áustria e ao norte da Suíça. Destaca-se ainda o curioso enclave da cidade alemã de Constança, que se encontra na margem suíça. O lago banha os estados alemães de Bade-Vurtemberga e Baviera, além dos cantões suíços de Turgóvia e São Galo.
Com uma área de 536 km² (recalculada em 2004, já que o valor anterior de 571 km² correspondia ao nível de cheia, e não ao médio), o Lago de Constança foi formado pela ação da geleira do Reno durante a última Era Glacial.
Atualmente, rios como o Reno, o Bregenzer Ache e o Dornbirner Ache continuam a transportar sedimentos dos Alpes, o que, pouco a pouco, reduz a profundidade de sua porção sudeste. (Foto: divulgação; Fonte: R7)

