O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani por supostas ‘associação para o tráfico’, ‘tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas’ e ‘lavagem de dinheiro’.
As alegações finais foram apresentadas na quarta-feira (21), ao término da fase de produção de provas. Caso seja condenado, Cariani poderá receber uma pena de até 51 anos e oito meses de prisão, além de multa. Ele responde ao processo em liberdade.
A manifestação também pede a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes. Segundo a acusação, os três teriam participado de um suposto esquema de desvio de produtos químicos utilizados na fabricação de entorpecentes, especialmente cocaína e crack.
A defesa de Cariani afirmou que o pedido do Ministério Público não representa surpresa e declarou que pretende contestar os argumentos da acusação na etapa final do processo. O caso ainda depende de decisão judicial, e o pedido de condenação não significa que os réus tenham sido considerados culpados.
O processo teve origem na Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023 para investigar um suposto esquema de desvio de substâncias químicas destinadas ao narcotráfico.
Cariani, que tem mais de 11 milhões de seguidores no Instagram, foi um dos alvos da operação e acabou indiciado pela PF naquele mês. Em fevereiro de 2024, a Justiça o tornou réu.
De acordo com a investigação, uma empresa da qual o influenciador era sócio, a Anidrol Produtos para Laboratórios, sediada em Diadema, na Grande São Paulo, teria fraudado registros de vendas de insumos químicos. O material seria apresentado como destinado a empresas farmacêuticas, mas acabaria desviado para o refino de cocaína.
Nas alegações finais, promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) afirmam que a empresa teria simulado operações comerciais em 59 ocasiões. Segundo a acusação, produtos eram faturados em nome de empresas que não haviam feito os pedidos, enquanto encomendas fictícias seriam utilizadas para justificar a saída das substâncias.
Um dos episódios citados pelos promotores envolve a retirada de produtos químicos em fevereiro de 2018. Na denúncia, a acusação afirma que Cariani autorizou a retirada, fora do expediente, de materiais faturados em nome da AstraZeneca, incluindo 100 litros de éter etílico e 50 quilos de cloridrato de lidocaína.
“Renato autorizou a separação e a retirada fora do expediente, em 26/02/2018, de produtos faturados à empresa ASTRAZENECA (100 litros de éter etílico e 50 kg de cloridrato de lidocaína). […] Ele forneceu à Polícia Federal comprovantes de retirada com placas, documentos e habilitações falsos, que ele próprio declarou estarem ‘arquivados’. E, tal qual explícito de seu aparelho celular, agiu para subverter a fiscalização, aproximando-se de policial civil responsável pela fiscalização e induzindo o arquivamento de expediente investigativo antecedente”, apontaram os promotores na denúncia apresentada.
A acusação também menciona conversas encontradas no celular de Cariani com o policial civil Anadré Dziuba, que atuava na área de controle e fiscalização de produtos químicos utilizados no refino de drogas.
Conforme o Gaeco, as mensagens indicariam que o empresário recebia informações sobre diligências, comentava situações investigadas e sugeria empresas que poderiam ser fiscalizadas.
Para os promotores, essa relação demonstraria uma tentativa de proteger o grupo investigado e prejudicar possíveis concorrentes que comercializavam produtos químicos. A acusação afirma ainda que as conversas indicariam conhecimento sobre a utilização dos insumos na fabricação de entorpecentes.
“As conversas revelam que Renato tinha absoluta ciência do emprego dos insumos químicos no preparo de droga. Em 11/04/2019, consultado pelo policial civil sobre o controle de determinada substância, respondeu que ela era “utilizada para aumentar o rendimento da cocaína”, diz o Gaeco.
Em outro trecho das alegações, os promotores sustentam que as mensagens revelariam conhecimento sobre as falhas nos controles das retiradas de produtos da própria empresa.
“As mensagens do celular de Renato exteriorizam que ele sabia do controle pífio das retiradas da própria empresa”, argumentam os promotores.
Além de Cariani, Fábio Spindola Mota é apontado pela acusação como responsável pela comercialização dos produtos químicos e intermediador no fornecimento das substâncias, fazendo a ligação entre a empresa e compradores ligados ao mercado de crack e cocaína.
Rodrigo Gomes Pereira, por sua vez, teria atuado na movimentação de recursos que, segundo o Ministério Público, eram provenientes das atividades criminosas. De acordo com o documento, ele estaria envolvido em depósitos em dinheiro e operações destinadas a ocultar a origem dos valores.
“Realizando depósitos em espécie e promovendo operações para dar aparência de licitude ao produto dos crimes”, afirma o documento sobre a atuação atribuída a Rodrigo.
A pena estimada pela acusação para cada réu varia de 16 anos e quatro meses a 51 anos e oito meses de prisão, além de multas. O cálculo considera uma possível condenação por associação para o tráfico, 59 crimes de tráfico de insumos destinados à fabricação de drogas e 59 crimes de lavagem de dinheiro.
A definição da pena dependerá do enquadramento jurídico reconhecido pela Justiça e da eventual aplicação de regras relativas à continuidade delitiva.
Na mesma manifestação, o Ministério Público pediu a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na Anidrol, e de Andréia Domingues Ferreira, que também foram mencionadas durante as investigações da Polícia Federal.
Em nota, o advogado Aldo Romani Netto, que representa Cariani, afirmou que recebeu com naturalidade o pedido de condenação e ressaltou que a manifestação corresponde à posição já defendida pelo Ministério Público ao longo da ação.
“Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa. O processo se encontra agora em fase de alegações finais defensivas. Nela, a defesa irá responder a cada uma das teses apresentadas pelo Ministério Público e demonstrar, com base na prova produzida ao longo da instrução, que elas são improcedentes”, disse Romani.
O advogado também declarou confiar na análise das provas pelo Judiciário e manifestou expectativa de que o empresário seja absolvido.
“Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani”, declarou. E mais: Urgente: Flávio publica carta em que se diz ‘verdadeiro presidente eleito’ e diz que houve fraude nas eleições. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: G1)

