A inflação tem atingido de forma mais dura os estados do Nordeste, onde o encarecimento de itens essenciais como alimentos, combustíveis, gás de cozinha e moradia vem comprometendo ainda mais o orçamento das famílias. O impacto é ampliado pelo fato de a região ter renda média inferior à nacional. Os dados são do jornal O Globo.
Um levantamento mostra que, entre janeiro e março deste ano, seis das dez capitais brasileiras com maior alta no valor da cesta básica estão localizadas no Nordeste.
Em Recife, o custo do conjunto de alimentos básicos chegou a R$ 654,62, com aumento acumulado de 9,82% no período — quase o dobro da projeção de inflação anual do país, estimada em 4,86%. Já em São Paulo, mesmo com a cesta mais cara entre as capitais, no valor de R$ 883,94, a variação foi menor, de 4,49%.
Os alimentos seguem como o principal fator de pressão sobre o orçamento das famílias nordestinas. Produtos como o feijão-carioca registraram altas expressivas: até 27% em Salvador, 24,7% em Teresina e 24% no Recife.
Em Belém, o aumento chegou próximo de 50%. Outros itens também tiveram reajustes relevantes, como a carne, que subiu 5,39% no Recife, e a farinha de mandioca, com elevação de 13% em Fortaleza.
Especialistas apontam que a combinação de menor oferta, impactos climáticos e redução de áreas de cultivo ajuda a explicar a escalada dos preços desses alimentos.
Os combustíveis também têm exercido forte pressão inflacionária. Desde o início do conflito no Irã, a gasolina acumulou alta de 10,35%, passando de R$ 6,28 para R$ 6,93.
O diesel teve aumento ainda mais expressivo, de 26,25%. Esse movimento afeta diretamente o custo do transporte e acaba sendo repassado para outros produtos, especialmente em regiões como o Nordeste, que depende mais do abastecimento vindo de outras áreas do país.
O gás de cozinha também ficou mais caro. A alta média na região foi de 4,82%, com destaque para o Maranhão, onde o aumento chegou a 8,38% e o botijão passou a custar, em média, R$ 125,17.
Na área da habitação, os aluguéis também subiram em várias capitais nordestinas. Aracaju lidera as altas, com avanço de 7,06%. Em seguida aparecem Maceió (4,66%), Natal (4,22%), Recife (4,18%) e João Pessoa (3,87%).
Dados de especialistas indicam que a renda média domiciliar per capita no Nordeste é de R$ 1.340, bem abaixo da média nacional de R$ 2.068. Esse descompasso faz com que qualquer reajuste em itens básicos tenha impacto mais intenso sobre o consumo das famílias.
Economistas avaliam que fatores estruturais, como custos logísticos mais elevados, menor produção regional e maior peso dos gastos essenciais no orçamento, tornam a inflação mais sensível na região.
A expectativa é de que a pressão de preços continue nos próximos meses, sobretudo com a volatilidade do petróleo e seus efeitos sobre combustíveis e transporte. E mais: Genial Investimentos: entenda o bloqueio de R$ 176 mi em ação da Fazenda de SP. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: O Globo)

