A Nvidia alcançou um feito histórico na quarta-feira (9): tornou-se a primeira companhia listada em bolsa a ultrapassar o valor de mercado de US$ 4 trilhões (cerca de R$ 21,8 trilhões). A marca reforça a liderança da empresa na revolução provocada pela inteligência artificial generativa, consolidando seu domínio no setor de chips de alto desempenho.
As ações da empresa subiram 2,8% pela manhã e bateram um novo recorde, cotadas a US$ 164,42 (R$ 897,70). Com isso, a Nvidia passou a valer US$ 4,01 trilhões, superando nomes consagrados da tecnologia como Microsoft (US$ 3,7 trilhões), Apple (US$ 3,1 trilhões), Amazon (US$ 2,4 trilhões) e Alphabet (US$ 2,2 trilhões), controladora do Google.
A valorização das ações da Nvidia nos últimos dez anos é impressionante: saltaram quase 35.000%, enquanto o índice S&P 500 teve alta de cerca de 260% no mesmo período. Em números práticos, quem aplicou US$ 1.000 em julho de 2015 teria hoje uma fortuna de US$ 350 mil (R$ 1,9 milhão).
Para se ter ideia da magnitude do valor da empresa, ela sozinha já vale mais que todo o Produto Interno Bruto do Reino Unido em 2023, estimado em US$ 3,9 trilhões (R$ 21,29 trilhões).
O entusiasmo dos investidores se explica pela posição central da Nvidia no ecossistema de inteligência artificial. A empresa domina a fabricação de GPUs (unidades de processamento gráfico), consideradas essenciais para treinar e operar sistemas como o ChatGPT, da OpenAI. Seus chips são usados também por gigantes como Tesla, Meta, Amazon e pela xAI, de Elon Musk.
O início
A trajetória de Jensen Huang, cofundador e CEO da Nvidia, é daquelas que parecem roteiro de cinema. Filho de imigrantes taiwaneses, ele passou parte da infância na Tailândia antes de ser enviado com o irmão para os Estados Unidos. Lá, frequentou um internato que também funcionava como reformatório e, segundo ele mesmo, chegou a limpar banheiros do colégio.
Aos 15 anos, conseguiu seu primeiro emprego em uma lanchonete da rede Denny’s, lavando pratos e servindo mesas. “Recomendo encarecidamente a todos que tenham seu primeiro emprego no setor de restaurantes, que ensina a ser humilde e trabalhar duro”, declarou em entrevista recente.
Formado em engenharia elétrica pela Universidade Estadual de Oregon e com mestrado em Stanford, Huang acumulou experiência no setor de tecnologia até fundar, em 1993, a Nvidia. A ideia nasceu justamente em uma conversa informal em uma Denny’s, a mesma rede onde ele havia trabalhado anos antes, ao lado de Chris Malachowsky e Curtis Priem.
Três décadas depois, a empresa que começou com ambições modestas se tornou um dos pilares da inteligência artificial no mundo. Nesta quarta-feira (4), a Nvidia alcançou o posto de companhia mais valiosa da bolsa de valores, avaliada em US$ 3,44 trilhões, superando gigantes como Microsoft e Apple.
A fortuna de Huang, impulsionada por sua participação de cerca de 3,5% na Nvidia, já ultrapassa os US$ 124 bilhões, colocando-o entre as dez pessoas mais ricas do planeta, segundo a revista Forbes. Em seu país natal, ele é tratado como símbolo de sucesso e superação.
Embora hoje esteja no centro da corrida global pela liderança em inteligência artificial, a Nvidia começou sua trajetória se destacando no mercado de games. O sucesso no desenvolvimento de GPUs de alta performance abriu caminho para que a empresa se tornasse referência na criação de chips voltados a aplicações de IA — incluindo tecnologias como ChatGPT, Claude e outras.
A valorização das ações da Nvidia quadruplicou nos últimos três anos, refletindo seu protagonismo no setor. A companhia, sediada em Santa Clara, na Califórnia, tornou-se peça-chave na disputa entre Estados Unidos e China pelo domínio da inteligência artificial.
Hoje, Huang é não apenas o rosto da Nvidia, mas também um dos maiores ícones do novo capítulo tecnológico que o mundo está escrevendo — um feito e tanto para quem começou lavando pratos em um restaurante americano. (Foto: reprodução vídeo; Fontes: Forbes; G1)
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