O sindicato da Samsung Electronics afirmou nesta sexta-feira (15) que mantém o plano de greve programada para a próxima semana, apesar da proposta da empresa para retomar as negociações salariais.
O movimento ocorre em meio a um impasse sobre reajustes e bônus que já vinha sendo discutido entre as partes.
A decisão aumentou a tensão no mercado financeiro, com as ações da companhia chegando a cair até 9,3% durante o pregão.
O recuo reflete a preocupação de investidores com os possíveis impactos de uma paralisação na produção da maior fabricante mundial de chips de memória.
As negociações mediadas pelo governo sul-coreano entre empresa e sindicato fracassaram nesta semana, o que agravou o cenário de incerteza.
Diante disso, executivos da Samsung pediram a retomada do diálogo e se desculparam publicamente pela disputa trabalhista, afirmando que seguem abertos a um acordo.
A companhia informou ainda que seus dirigentes estavam se deslocando ao complexo industrial de Pyeongtaek para uma reunião com lideranças sindicais, numa tentativa de destravar as conversas.
Apesar disso, o sindicato declarou que só deve aceitar novas negociações após 7 de junho, mantendo o plano de uma greve de 18 dias com início previsto para 21 de maio.
Segundo representantes do movimento, mais de 50 mil trabalhadores podem aderir à paralisação, o que poderia afetar diretamente a produção da empresa. Analistas do mercado avaliam que a continuidade do impasse aumenta o risco de interrupções na cadeia global de semicondutores.
O analista Ryu Young-ho, da NH Investment & Securities, afirmou que há crescente preocupação com a confiabilidade das entregas da companhia em caso de greve e com a possibilidade de concorrentes se beneficiarem da situação.
Ele também destacou que a falta de novas propostas por parte da empresa tende a prolongar o impasse.
O governo da Coreia do Sul demonstrou preocupação com os desdobramentos da crise trabalhista.
O ministro da Indústria, Kim Jung-kwan, afirmou que uma paralisação poderia causar “danos irreparáveis” à economia do país, enquanto a Casa Azul expressou expectativa de que um acordo seja alcançado para evitar intervenção mais direta.
Um relatório do JPMorgan Chase estimou que uma eventual greve pode gerar perdas entre 21 trilhões e 31 trilhões de won, o equivalente a até US$ 20,79 bilhões.
Enquanto isso, as ações da Samsung encerraram o pregão com queda de 8,6%, em um dia de forte pressão também sobre o índice KOSPI.

