A Força Aérea Brasileira (FAB) finalizou recentemente um leilão público envolvendo partes remanescentes de duas aeronaves militares desativadas. Classificados oficialmente como sucata aeronáutica, os materiais não possuem qualquer possibilidade de retorno ao serviço ativo, segundo informações divulgadas pelo portal Aeroin.
Os lotes colocados à venda incluíram componentes de um C-105 Amazonas e de um Embraer C-95 “Bandeirante”, modelos que desempenharam papel relevante em operações da aviação militar brasileira.
Apesar do histórico das aeronaves, os valores iniciais estipulados no leilão foram considerados baixos quando comparados à importância operacional dos aviões ao longo dos anos.
O C-105 Amazonas teve lance inicial fixado em R$ 8.240, enquanto o C-95 Bandeirante partiu de R$ 8.850. O certame foi conduzido pelo leiloeiro João Emílio, responsável por disponibilizar os itens ao público interessado.
O caso que mais despertou curiosidade foi o do C-105 Amazonas, de matrícula FAB 2808. A aeronave sofreu um acidente em 27 de fevereiro de 2016 durante uma operação no aeródromo de Surucucu, localizado dentro da Terra Indígena Yanomami, em Roraima — uma das áreas mais remotas do país.
No momento do pouso, houve o colapso do trem de pouso, fazendo com que o avião saísse da pista e sofresse danos estruturais significativos.
Apesar da gravidade do ocorrido, os sete ocupantes saíram ilesos, fato considerado positivo diante das circunstâncias. A localização isolada, no entanto, inviabilizou uma recuperação imediata da aeronave. As dificuldades de acesso, aliadas à ausência de suporte técnico especializado no local, impuseram obstáculos logísticos relevantes.
Após avaliações técnicas, a FAB optou por não restaurar completamente o C-105. Em vez disso, adotou um procedimento comum em forças aéreas ao redor do mundo: o reaproveitamento seletivo de peças.
Componentes como motores, hélices, assentos e sistemas aviônicos em condições adequadas foram retirados, inspecionados e reincorporados a outras aeronaves em operação, contribuindo para a redução de custos e a extensão da vida útil da frota ativa.
A fuselagem principal permaneceu em Surucucu por vários anos, tornando-se um retrato silencioso das dificuldades operacionais enfrentadas na Amazônia.
Somente em 2024 a FAB iniciou a remoção definitiva dos restos da aeronave. A operação exigiu planejamento detalhado e o emprego de helicópteros para desmontagem e transporte das partes, que foram levadas até a Base Aérea de Boa Vista. O processo demandou múltiplos voos e foi impactado por condições climáticas adversas e pelo terreno hostil da região.
Além do C-105, o leilão também incluiu um Embraer C-95 “Bandeirante”, de registro FAB 2298. Considerado um dos aviões mais emblemáticos da indústria aeronáutica nacional, o modelo, desenvolvido pela Embraer, atuou por décadas em missões de transporte, patrulhamento e apoio logístico, consolidando-se como um dos pilares da aviação militar brasileira. E mais: CPMI do INSS pede quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha; Saiba mais (Foto: reprodução Metrópoles; Fonte: Sociedade Militar)

