Empresas de apostas esportivas que mantêm contratos de publicidade e patrocínio com emissoras de televisão começaram a se movimentar diante da possibilidade de o governo Lula endurecer as regras para o funcionamento das bets no Brasil. A expectativa é que o anúncio da proibição aconteça nesta sexta-feira (25).
Algumas delas já notificaram empresas de comunicação e clubes de futebol sobre a possibilidade de rescindir contratos caso novas restrições sejam adotadas ou o setor seja proibido no país.
Até agora, Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte tomaram medidas nesse sentido. As empresas também comunicaram clubes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro sobre a possibilidade de rompimento dos acordos comerciais.
As bets avaliam que uma eventual proibição poderia comprometer a própria continuidade do setor. Nesse cenário, segundo informações apuradas pela coluna, as empresas consideram que não haveria justificativa para manter contratos publicitários caso suas atividades fossem impedidas ou fortemente limitadas.
O impacto para a televisão aberta seria relevante. As casas de apostas estão entre os principais anunciantes do setor e investem valores expressivos em intervalos comerciais e cotas de patrocínio. De acordo com dados da Tunad, empresa especializada no monitoramento do mercado publicitário, as bets movimentaram R$ 153 milhões em publicidade na TV aberta somente em agosto.
Diante da possibilidade de perda dessa receita, os departamentos comerciais das emissoras já começaram a procurar alternativas para ocupar os espaços atualmente vendidos às empresas de apostas.
A Record, por exemplo, decidiu não negociar com a Betano uma cota de patrocínio para a próxima edição do reality show A Fazenda. A empresa estava associada ao programa desde 2021.
Na Band, a direção avalia como proceder com os contratos envolvendo bets que adquiriram os naming rights de atrações como Jogo Aberto e Os Donos da Bola, do ex-jogador Neto.
A movimentação ocorre depois de Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que tem “disposição pessoal” para acabar com o jogo.
O tema também representa uma mudança em relação à posição adotada pelo PT durante a tramitação da regulamentação das apostas, em 2023. Na ocasião, parlamentares do partido votaram contra uma emenda que pretendia impedir os cassinos online, modalidade que inclui plataformas como o chamado jogo do tigrinho.
Segundo Lula, o governo já realizou três reuniões para discutir possíveis medidas de restrição às bets. Os encontros reuniram integrantes da Presidência, da Casa Civil, do Ministério da Fazenda e do Ministério da Justiça.
Apesar das reuniões, integrantes do governo que participaram das discussões afirmam que ainda não existe uma decisão definitiva nem prazo estabelecido para a publicação de novas regras. Interlocutores, porém, trabalham com a possibilidade de uma medida de grande impacto sobre o setor.
A discussão ganhou força também após uma reunião realizada em 1º de setembro com representantes da sociedade civil, influenciadores e artistas. Na ocasião, Lula recebeu os autores de um projeto de lei que prevê a proibição do jogo do tigrinho e da publicidade de bets em eventos esportivos e nas redes sociais.
Durante o encontro, foram apresentados estudos sobre possíveis impactos das plataformas na saúde, além de dados relacionados ao risco das apostas entre menores de idade e pessoas de baixa renda.

