Urgente: Presidente do Paraguai renuncia

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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que deixará o comando do país. A decisão foi divulgada em um vídeo publicado nas redes sociais, em meio a uma grave crise provocada pelo fechamento do banco Ueno, que atingiu milhões de clientes e desencadeou manifestações e pressão de setores políticos pela saída do chefe do Executivo.

Ao comunicar a renúncia, Peña classificou o momento como um dos mais difíceis de sua vida e afirmou que a decisão busca preservar a estabilidade nacional e as instituições democráticas.

“Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas”, afirmou.

O presidente também declarou que pretende respeitar os mecanismos constitucionais e institucionais do país.

“Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como Nação. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”, adicionou.

Peña ainda pediu desculpas à população e afirmou que sua principal expectativa é que os clientes prejudicados consigam recuperar os valores depositados na instituição financeira. Ele também cobrou que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra sua finalidade.

“Hoje devemos demonstrar, mais uma vez, que a democracia é respeitada, que as instituições são preservadas e que o Paraguai está acima das nossas diferenças”, comentou.

 

A renúncia ocorreu depois que o Partido Colorado, legenda de Peña, anunciou apoio à remoção do presidente. A sigla justificou que a medida poderia contribuir para restabelecer a ordem institucional diante da crise.

Horacio Cartes, presidente do partido, divulgou uma carta nas redes sociais na qual afirmou que a legenda não toleraria “o roubo de fundos públicos, privados e de pensões”.

A pressão política também alcançou o vice-presidente Pedro Alliana. Nesta quinta-feira, a Câmara dos Deputados rejeitou o pedido de impeachment contra ele, por 48 votos contrários e 30 favoráveis. Com isso, Alliana ficou em posição de assumir a Presidência em meio à saída anunciada por Peña.

Aos 52 anos, Alliana tem trajetória nos poderes Executivo e Legislativo. Foi governador entre 2008 e 2012 e deputado federal de 2013 a 2023. Durante esse período, presidiu a Câmara em diferentes ocasiões e comandou o Partido Colorado entre 2015 e 2023. Como vice-presidente, também acumulou atribuições relacionadas à política externa paraguaia.

O estopim da turbulência foi o fechamento do banco Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez. A instituição encerrou as atividades na terça-feira (3), após o Banco Central do Paraguai iniciar um processo de liquidação. A autoridade monetária identificou problemas nos índices de solvência, associados a empréstimos concedidos a empresas ligadas ao próprio grupo.

O banco tinha aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, quantia equivalente a aproximadamente R$ 4,6 bilhões. Entre os recursos estavam valores do Instituto de Previdência Social do Paraguai.

Peña, economista que assumiu a Presidência em 2023, foi acionista do grupo proprietário da instituição até março do ano passado.

A ligação anterior com o conglomerado passou a ser alvo de questionamentos da oposição, que acusou o governo de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e omissão do Banco Central.

Antes de anunciar a renúncia, Peña havia afirmado, em uma publicação na rede social X, que os responsáveis pelas irregularidades seriam levados à Justiça, sem qualquer tipo de exceção. O presidente também promulgou uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar os recursos em menos tempo.

Na ocasião, ele pediu que as disputas políticas não se sobrepusessem aos interesses dos clientes prejudicados. “Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou. (Foto: EBC; Fonte: CNN)

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