Advogado de Vorcaro pediu a assessor que levasse reclamações a Lula

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Mensagens de WhatsApp analisadas pela Polícia Federal mostram que Walfrido Warde, advogado do banqueiro Daniel Vorcaro, pediu ao então chefe de gabinete de Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola (foto), que levasse ao chefe do Executivo reclamações sobre a atuação do Banco Central nas negociações envolvendo o Banco Master e o BRB.

As conversas ocorreram em julho de 2025 em um grupo de WhatsApp chamado “Amigos”, do qual também participava Rafael Valim, sócio de Warde. Segundo os diálogos, o advogado buscou utilizar Marcola como interlocutor para fazer chegar a Lula as queixas de Vorcaro sobre o andamento da operação.

Antes disso, Vorcaro havia relatado a Warde ter tomado conhecimento de uma reunião na qual o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, teria apontado problemas contábeis no Master. O banqueiro reagiu de forma crítica à atuação da autoridade monetária.

“Não dá mais. Eles não fazer (a operação). Temos que ir pro embate. Esse cara é um merda”, escreveu Vorcaro.

“Vamos para cima”, respondeu Warde.

Na sequência, Vorcaro pediu ao advogado: “Avise presidente amanhã e vamos pra guerra”.

“Ja fiz isso”, respondeu Warde.

Pouco depois, já no grupo “Amigos”, Warde cobrou uma atuação junto ao Banco Central e marcou Marcola diretamente na conversa.

“@Marco Aurélio Marcola teremos de ir pra cima do Bacen. Peço pra avisar o presidente”.

Em seguida, o advogado voltou a pedir que o recado chegasse a Lula: “Não dá mais. O Gabriel (Galípolo, presidente do BC), não tem estofo pro cargo. Avise o chefe por favor”.

Quatro minutos depois, Marcola respondeu: “Vixe. Blz”.

Warde então afirmou que Galípolo teria inicialmente pedido que a operação envolvendo o BRB fosse realizada e, posteriormente, estaria criando obstáculos para sua conclusão. “pediu para fazer a operação do BRB e está embarreirando”, escreveu o advogado.

Marcola respondeu: “Avisarei aqui. Dou notícias”.

Em nota enviada à imprensa por sua assessoria, Marcola negou ter atuado em defesa de interesses privados ou intermediado as negociações. Segundo ele, sua atuação se limitou a encaminhar institucionalmente informações sobre a situação do banco.

O ex-assessor acrescentou que o episódio estava relacionado à possibilidade de liquidação do Banco Master e afirmou que apenas faria os encaminhamentos institucionais necessários.

“O caso em questão dizia respeito à ameaça de liquidação de um banco. Nesse contexto, ao ser procurado por interlocutores da instituição, o então chefe de gabinete apenas informou que faria os encaminhamentos institucionais e levaria as informações às instâncias cabíveis”, disse Marcola, em nota.

Warde não se manifestou sobre as mensagens. A defesa de Vorcaro também não comentou o conteúdo dos diálogos.

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) afirmou que Lula se encontrou apenas uma vez com Daniel Vorcaro, em 4 de dezembro de 2024. Segundo o governo, não houve outros contatos entre os dois.

A Secom afirmou ainda que, no encontro de dezembro de 2024, Vorcaro teria relatado ao presidente que se sentia perseguido. Segundo a secretaria, Lula respondeu que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central.  (Foto: redes sociais; Fonte: O Globo)

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