A Polícia Federal identificou mensagens que, segundo a investigação, mostram a lobista Roberta Luchsinger orientando seu motorista, Ulisses Barbosa, a realizar pagamentos em dinheiro a pessoas ligadas ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
As conversas também indicam que Roberta mantinha grandes quantias em espécie guardadas em malas em sua residência.
Roberta é investigada ao lado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em três inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). As apurações investigam suspeitas de corrupção e tráfico de influência.
Segundo informações publicadas pelo Estado de S. Paulo e pela Folha de SP, mensagens trocadas entre Roberta e Ulisses mencionam pagamentos destinados a Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto da pasta comandada por Wellington Dias, e a José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial do ministério.
Em uma das conversas, Roberta teria determinado que Ulisses utilizasse R$ 60 mil que estavam em espécie para fazer depósitos em três contas: uma de Ranniêr, outra de José Martinho e uma terceira pertencente a uma parente do coordenador.
Seis meses depois desses pagamentos, o Ministério do Desenvolvimento Social firmou contrato com um empresário do setor de tecnologia que era representado por Roberta.
A investigação também encontrou indícios de outras movimentações de dinheiro vivo. Em março de 2023, Ulisses teria informado à lobista que havia buscado uma quantia para ela e que mantinha R$ 500 mil armazenados em malas.
Na sequência, Roberta teria pedido que ele entregasse R$ 193 mil a Fernando Bittar, empresário que foi um dos proprietários do sítio de Atibaia (SP), alvo de investigações durante a Operação Lava Jato.
A PF também levantou a hipótese de que Roberta, Lulinha e Bittar tenham mantido uma “sociedade oculta” em negócios.
As apurações ainda apontam que a empresa de Roberta transferiu quase R$ 2,3 milhões para a conta de Ulisses entre 2022 e 2025. Além das operações em dinheiro vivo, a PF já havia identificado outras despesas pagas pela lobista em benefício de pessoas próximas ao governo.
Entre elas estão R$ 217 mil destinados a faturas de cartão de crédito, financiamento de veículo e outros gastos de Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, que foi chefe de gabinete de Lula.
Os três inquéritos envolvendo Lulinha e Roberta foram instaurados no STF a partir de elementos obtidos pela PF durante buscas e quebras de sigilo realizadas no âmbito da Operação Sem Desconto, investigação que apura suspeitas de desvios relacionados a aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
As apurações envolvendo os dois investigados tratam de possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência. Roberta é apontada como amiga de Lulinha e também atuava em interesses do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Defesas:
Procurado, o advogado de Bittar, Roberto Bertholdo, contestou a possibilidade de o empresário ter conhecimento sobre a movimentação. “Fernando não tem conhecimento desta mensagem e nem em qual contexto foi enviada ou recebida pela Roberta, bem como desconhece a existência desses valores”.
Anteriormente, a defesa de Marcola afirmou que ele “jamais intermediou negociações ou encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou de qualquer outro órgão do governo federal”.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que não há confirmação sobre a autenticidade das conversas e negou qualquer envolvimento do cliente nos pagamentos. “O Fábio reitera que não tem relação com qualquer tipo de irregularidade nem qualquer desvio ou suspeita relacionada a dinheiro público. Ele fala apenas por si”, afirmou.

