Gilmar e Zanin mandam PF entregar celular de Vorcaro sem passar pelo relator

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Os ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinaram que a Polícia Federal encaminhe aos seus gabinetes uma cópia integral do conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

As ordens foram dadas às vésperas do julgamento marcado para terça-feira (15), mas chamam atenção por partirem de ministros que não são relatores do caso e que, na prática, requisitaram diretamente à PF um material que está sob responsabilidade do ministro André Mendonça.

A movimentação ocorre em meio à disputa interna no STF sobre o acesso ao conteúdo do aparelho apreendido com Vorcaro.

Mendonça é responsável pelo caso e havia manifestado preocupação com a distribuição integral do material aos demais ministros, argumentando que a medida poderia comprometer investigações em andamento e provocar prejuízos à apuração.

Para ele, os integrantes da Corte já tinham acesso às informações necessárias para a análise que será feita pelo plenário.




Mais cedo neste domingo, Zanin havia determinado que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregasse até as 23h uma cópia completa do celular.

Horas depois, Gilmar também fez uma requisição semelhante, afirmando ter tomado conhecimento da decisão de Zanin e defendendo que os demais integrantes do tribunal devem ter acesso às informações utilizadas para fundamentar a decisão que terão de tomar.

Gilmar afirmou que não pretende tornar o conteúdo público. Segundo ele, o material permanecerá ‘sob sigilo’ e terá acesso restrito ao gabinete.




Ao justificar a requisição, o ministro também afirmou que precisa conferir diretamente o conteúdo do aparelho. “Sem a verificação da mídia que se encontra no Gabinete do Ministro André Mendonça há mais de seis meses, não há como identificar omissões, obscuridades ou contradições no relatório, nem aferir a integralidade do que foi recuperado, o contexto das mensagens ou a representatividade da seleção”.

Zanin, por sua vez, sustentou que não existe “hierarquia entre os ministros do STF” e que as provas pertencem ao plenário e aos integrantes da Corte, e não exclusivamente a um ministro.




O posicionamento dos dois ministros, contudo, amplia uma situação pouco usual dentro do tribunal: enquanto Mendonça atua como relator e defende cautela na circulação do material, outros integrantes da Corte passaram a requisitar diretamente à Polícia Federal o mesmo conteúdo.

Na prática, o movimento reduz o espaço de controle do relator sobre o acesso aos elementos que fundamentam o julgamento, justamente quando o plenário se prepara para analisar um caso que envolve um dos próprios ministros do STF.




Mendonça enviou ofício ao presidente da Corte, Edson Fachin, afirmando que o compartilhamento integral do conteúdo “somente contribuiria para tumultuar” o julgamento e poderia colocar “em risco todo o seguimento e êxito das investigações”. O ministro também contestou a manifestação anterior de Zanin favorável ao acesso amplo ao material.

O aparelho é um iPhone 17 Pro apreendido pela Polícia Federal em 18 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez. O conteúdo recuperado do celular está no centro do relatório elaborado pela PF a pedido de Mendonça, que apontou mensagens envolvendo o empresário e o ministro Alexandre de Moraes.




O julgamento foi marcado por Fachin para esta terça-feira (15), quando o plenário deverá analisar o relatório e discutir a possibilidade de abertura de uma investigação sobre a conduta de Moraes.

O episódio provocou forte tensão nos bastidores do STF, com ministros divergindo não apenas sobre o conteúdo do relatório, mas também sobre os procedimentos adotados para sua elaboração e sobre quem deve controlar o acesso às provas que serão submetidas ao plenário.




André Mendonça afirmou, neste domingo (13), que disponibilizar aos colegas de Corte todos os dados do telefone celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro contribuiria para “tumultuar o julgamento” marcado para a próxima terça-feira (15) e colocar as investigações em risco.

Na data, a Corte terá uma sessão plenária extraordinária para decidir sobre a abertura de uma possível investigação a respeito de supostas relações do ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro.

Segundo o ministro Menonça, “todo o material utilizado para o julgamento” do dia 15 já está disponível aos ministros. Por outro lado, ele questionou a pertinência de revelar a todos os ministros todo o conteúdo extraído do telefone do ex-dono do Banco Master.




“A inserção de elementos adicionais, que não constam dos autos até o presente momento, o que inclui a abertura de todas as informações contidas no celular do senhor Daniel Vorcaro, somente contribuiria para tumultuar o julgamento, bem como colocaria em risco todo o seguimento e êxito das investigações, dando ensejo à suscitação de questionamentos de toda ordem, para desviar o feito especificamente apregoado para julgamento de seu caminho natural”, disse Mendonça em despacho publicado hoje.

O posicionamento de Mendonça veio como resposta a uma demanda de outros ministros para ter acesso à integra dos dados encontrados no aparelho do dono do Banco Master. Os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin já manifestaram interesse em receber esses dados. E mais: Nikolas reúne multidão no Amapá e pede ‘Fora, Alcolumbre’. Clique AQUI para ver. (Foto: STF)

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