O governo dos Estados Unidos criticou a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e classificou a decisão como um caso de “perseguição e manipulação política”.
A manifestação foi feita pelo Departamento de Estado norte-americano após a decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou o ex-parlamentar a quatro anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto, pelo suposto crime de 1coação no curso do processo’.
Segundo o entendimento dos ministros, Eduardo Bolsonaro teria utilizado sua atuação política nos Estados Unidos para tentar pressionar integrantes da Corte e influenciar o julgamento que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro em processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.
Em declaração enviada à agência Reuters, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que o episódio é mais um exemplo de utilização política do sistema judicial brasileiro.
“O mais recente episódio de um padrão de perseguição e de uso político do sistema judicial pelos tribunais brasileiros contra seus opositores políticos”.
Após a manifestação do governo norte-americano, Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais comemorando o posicionamento.
“Vocês acham mesmo que a maior democracia do mundo, o farol da liberdade, os Estados Unidos, não estariam atentos a esse tipo de conduta totalmente ideológica? Essa aí é mais uma bordoada no STF brasileiro e no Alexandre Moraes.”
O ex-deputado também citou uma fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Cúpula do G7, realizada na França. Na ocasião, o republicano mencionou o caso, mas confundiu Eduardo com o senador Flávio Bolsonaro.
“Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele deu uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prender ele.”
O processo teve início após denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusou Eduardo Bolsonaro de atuar nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e tentar interferir em processos envolvendo Jair Bolsonaro e outros investigados.
Segundo a acusação, o ex-parlamentar participou de articulações relacionadas a possíveis sanções contra ministros do STF e também a medidas econômicas direcionadas ao Brasil com o objetivo de pressionar integrantes do Judiciário.
Durante o julgamento, a defesa, conduzida pela Defensoria Pública da União, sustentou que Eduardo exercia atividade política legítima, protegida pela liberdade de expressão e pela imunidade parlamentar.
Ao apresentar seu voto, o relator Alexandre de Moraes afirmou que as ações atribuídas ao ex-deputado ultrapassaram os limites da manifestação política e caracterizaram tentativa de interferência no funcionamento do Judiciário.
Os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino acompanharam o entendimento. E mais: Mendonça manda remover postagens contra Lula nas redes sociais. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: Congresso em Foco)

