O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino afirmou ter sido alvo de ‘hostilidade’ durante um embarque aéreo e fez um apelo para que empresas reforcem ações internas voltadas à convivência pacífica e ao respeito institucional.
Segundo relato publicado nas redes sociais, uma funcionária de companhia aérea teria comentado com um agente da polícia judicial que gostaria de “xingar” o magistrado ao visualizar seu nome no cartão de embarque. Na sequência, ainda de acordo com Dino, ela teria afirmado que seria “melhor matar do que xingar”.
“Recentemente, uma funcionária de uma empresa aérea, ao olhar um cartão de embarque com meu nome, manifestou a um agente de polícia judicial a vontade de me xingar. Em seguida se ‘corrigiu’: disse que seria melhor matar do que xingar”, escreveu o ministro.
Dino afirmou que não conhece a funcionária e disse acreditar que a reação decorre de sua atuação no Supremo Tribunal Federal. O magistrado também optou por não divulgar o nome da empresa aérea nem a identidade da funcionária envolvida.
“Como não a conheço, nem ela me conhece, é claro que tais manifestações derivam de minha atuação no STF”, declarou.
O ministro afirmou que decidiu tornar o episódio público por considerar que o caso ultrapassa uma questão pessoal e pode envolver riscos mais amplos ligados à segurança de passageiros e serviços públicos.
Na publicação, Dino demonstrou preocupação com a possibilidade de comportamentos semelhantes se espalharem em setores que lidam diretamente com consumidores.
“Imaginemos se isso se alastra para outros segmentos de negócios: um cliente corre o risco de, por exemplo, ser envenenado?”, questionou.
Ao defender campanhas internas de conscientização, o ministro afirmou que empresas precisam orientar funcionários a manterem respeito independentemente de posicionamentos políticos ou preferências ideológicas, sobretudo em período eleitoral.
“Assim, o pedido que faço às empresas em geral, mas especialmente àquelas que lidam com o público, é que façam campanhas internas de educação cívica para que todos possam conviver em paz, especialmente nesse ano eleitoral, em que muitos sentimentos se acirram”, disse.
Dino ainda ponderou que o episódio pode ter sido isolado, mas avaliou que o ambiente político tende a aumentar a tensão nos próximos meses.
“Pode ter sido um ‘caso isolado’. Porém, com o andar do calendário eleitoral, pode não ser. Então é melhor prevenir”, afirmou.
O presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota de solidariedade ao colega e informou que o episódio ocorreu nesta segunda-feira (18), em um aeroporto de São Paulo.
“A divergência de ideias, própria da democracia, jamais pode abrir espaço para o ódio, para a violência em qualquer de suas formas ou para qualquer modo de agressão pessoal”, declarou Fachin.
O presidente da Corte também afirmou que o respeito às instituições e às autoridades “é condição essencial da convivência republicana” e defendeu serenidade e tolerância no debate público. E mais: Receita libera consulta ao 1º lote do IR 2026. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: CBN; Gazeta do Povo)

