Ao longo da história contemporânea, diversos regimes autoritários deixaram marcas profundas nos países que governaram, muitas vezes associando concentração de poder político a crises humanitárias, colapsos institucionais e graves violações de direitos civis.
Em diferentes continentes e períodos, figuras como Hitler na Alemanha, Josef Stalin na União Soviética e Mao Tsé-Tung na China lideraram sistemas em que o controle estatal se sobrepôs às liberdades individuais, com impactos duradouros sobre suas sociedades.
Também em contextos mais recentes, como o de Pol Pot no Camboja, o uso extremo da repressão e da engenharia social resultou em desestruturação econômica e social profunda.
Esses episódios, embora distintos em contexto e ideologia, costumam ser revisitados por historiadores como exemplos extremos de como o poder centralizado e sem freios institucionais pode afetar diretamente a população e o funcionamento de um país.
Agora, um relatório divulgado pela organização não governamental Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos (Provea) aponta que o regime de Nicolás Maduro seria responsável por 10.853 mortes decorrentes de execuções extrajudiciais desde 2013, ano em que o atual ex-ditador assumiu o poder na Venezuela.
O levantamento foi apresentado em Caracas durante a divulgação do informe anual da entidade, realizada nesta quinta-feira (14). De acordo com a ONG, apenas em 2025 foram registradas 336 mortes provocadas por ações de policiais e militares ligados ao aparato estatal.
A Provea define execuções extrajudiciais como mortes ocorridas sem julgamento, sem processo legal e fora de operações legítimas de aplicação da lei.
O relatório destaca ainda que a maior parte das vítimas em 2025 era formada por jovens: 54% tinham entre 18 e 30 anos e viviam em áreas populares.
Segundo o documento, dois órgãos concentram a maior parte dos casos: a Polícia Nacional Bolivariana e o Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC), responsáveis por 57% das ocorrências registradas no período.
A organização também afirma que não houve investigação efetiva sobre essas mortes. A coordenadora de Monitoramento, Pesquisa e Mídia da Provea, Lissette González, declarou que o Ministério Público venezuelano, sob comando de Tarek William Saab, “não investigou nenhuma das mortes registradas em 2025”.
O relatório chama atenção ainda para o aumento dos desaparecimentos forçados. Segundo a ONG, esse tipo de ocorrência cresceu 196% em 2025 na comparação com o ano anterior, passando de 54 para 160 vítimas. Em alguns casos, os desaparecimentos teriam durado mais de 100 dias.
Outro ponto destacado é a repressão contra lideranças sociais e sindicais. Mais de 130 dirigentes sindicais foram detidos de forma arbitrária, muitos deles também submetidos a desaparecimento forçado, segundo a Provea.
A entidade avalia que, nos últimos anos, a repressão passou a ser mais seletiva e direcionada a opositores, sindicalistas e defensores de direitos humanos.
O documento registra ainda 659 denúncias de violações à integridade pessoal em 2025, incluindo tortura, maus-tratos, ameaças e tratamentos degradantes. Ao menos 42 pessoas teriam sido vítimas de tortura no período.
Em sua análise geral, o coordenador-geral da Provea, Óscar Murillo, afirmou que, após o que classificou como um “apagão democrático” em 2024, a Venezuela teria vivido em 2025 “praticamente a liquidação do Estado de Direito”. Ele também afirmou que o país atravessa “talvez uma tragédia como nunca tivemos em matéria de direitos humanos”.
Murillo acrescentou que, mesmo após a saída de Maduro no início de 2026, o aparato repressivo do Estado ainda estaria intacto, sem garantias efetivas de justiça ou reparação às vítimas.
Segundo ele, a reconstrução institucional dependeria do desmonte dessa estrutura acumulada ao longo de duas décadas. E mais: Lula despeja R$ 227 bilhões na economia em ano eleitoral. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: Gazeta do Povo)

