Em meio à queda de popularidade e à proximidade do calendário eleitoral, iniciativas do governo voltadas a categorias específicas costumam ser vistas pela oposição como tentativas de ampliar apoio político junto a setores estratégicos da população.
Medidas que envolvem crédito facilitado, benefícios sociais ou programas de incentivo econômico frequentemente entram no centro do debate sobre ações classificadas como “eleitoreiras”.
Diante desse cenário, o governo Lula prepara o lançamento de uma linha de financiamento voltada a motoristas de aplicativos interessados em adquirir o próprio veículo.
A medida deve beneficiar profissionais que atuam em plataformas como Uber e faz parte de um pacote de ações voltadas ao setor.
A informação foi divulgada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, durante participação no programa ‘Bom Dia, Ministro’, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Segundo Boulos, os detalhes do programa de crédito devem ser apresentados nos próximos dias. A intenção do governo petista (na teoria) é ‘reduzir a dependência’ de motoristas em relação ao aluguel de automóveis, um dos principais custos da atividade.
“O motorista muitas vezes trabalha metade do dia só para pagar a diária do carro”, afirmou o ministro ao comentar a proposta. A ideia, segundo ele, é permitir que os profissionais utilizem o trabalho para construir patrimônio próprio enquanto exercem a atividade.
Durante a entrevista, Boulos também comentou a dificuldade de avanço da proposta de regulamentação do trabalho em aplicativos no Congresso. Segundo o ministro, o texto teria sofrido alterações após pressão de empresas do setor, como iFood e a Uber.
De acordo com ele, a versão final apresentada pelo relator não garantia avanços suficientes para os trabalhadores, motivo pelo qual o governo decidiu interromper o andamento da proposta neste momento.
Um dos principais pontos de divergência foi a questão da remuneração dos motoristas. O relatório do deputado Augusto Coutinho retirou a previsão de tarifa mínima para corridas, embora tenha estabelecido limite médio semanal de 30% para os descontos cobrados pelas plataformas.
No caso dos entregadores, o texto previa pagamento mínimo de R$ 8,50 em corridas de até quatro quilômetros realizadas por motociclistas e ciclistas.
O valor, porém, ficou abaixo do defendido pelo movimento Breque Nacional dos Entregadores, que reivindica piso de R$ 10, além de adicional por quilômetro rodado.
Boulos também afirmou que o governo pretende criar cem pontos de apoio para motoristas de aplicativo nas principais cidades do país, por meio de parceria com o Banco do Brasil.
Outra medida citada pelo ministro prevê maior transparência nas plataformas. Segundo ele, empresas como Uber e iFood deverão informar nos recibos quanto do valor pago pelo cliente fica com o trabalhador e quanto é destinado à plataforma. (Foto: reprodução; Fonte: UOL)

