O escritor e jornalista Eduardo Bueno, conhecido como Peninha, foi formalmente indiciado nesta quinta-feira (7) pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul sob suspeita de discriminação religiosa contra evangélicos.
O caso tem origem em um vídeo publicado em 28 de janeiro de 2026, no qual o comunicador faz críticas ao grupo religioso e chega a afirmar que evangélicos não deveriam ter direito ao voto, além de classificá-los como “nefastos e desprezíveis”. O conteúdo foi retirado do ar por decisão judicial após a repercussão.
De acordo com a investigação, o material publicado online motivou a abertura de inquérito para apurar possível crime de preconceito religioso. O caso será agora encaminhado ao Ministério Público para análise e eventual oferecimento de denúncia.
A defesa de Bueno, representada pelos advogados Alexandre Wunderlich e Camile Eltz de Lima, sustenta que as falas não configuram crime e estão protegidas pela liberdade de expressão. Em nota, os advogados afirmam:
“A manifestação ocorreu dentro dos limites legais do exercício da liberdade de expressão e da manifestação do pensamento, trata-se de direito de crítica abstrata, tendo clara finalidade jocosa. Não ocorreu preconceito à liberdade religiosa e o indiciamento será revisto no Judiciário”.
O vídeo que originou a investigação fazia referência a uma manifestação do deputado federal Nikolas Ferreira, em que o escritor comenta, em tom considerado irônico, que evangélicos não deveriam votar por não escolherem seus próprios líderes religiosos.
Segundo o delegado Vinicius Nahan, responsável pelo caso, a conduta pode se enquadrar como crime de discriminação religiosa. Ele afirmou:
“A discriminação por motivação religiosa feita pela internet tem o entendimento que o fato de ter defendido a retirada de direitos políticos de um grupo social em razão de sua religião configura o crime de preconceito religioso, que não está protegido pela liberdade de expressão”.
Além da Polícia Civil, a Polícia Federal em Porto Alegre também apura o episódio. A defesa do escritor, no entanto, argumenta que o caso deveria tramitar na esfera federal, por envolver possível crime dessa natureza.
Enquanto o processo avança entre diferentes instâncias de investigação, a defesa insiste que as declarações foram feitas em contexto de ironia e debate público, sem intenção de incitar discriminação religiosa. E mais: ‘Greve de estudantes’ na USP escala; PM corta água e luz do prédio. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução)

