O Brasil atingiu um recorde histórico no número de empresas em recuperação judicial. No quarto trimestre de 2025, 5.680 companhias estavam sob esse regime, segundo levantamento da consultoria RGF, elaborado a partir de dados da Receita Federal.
O total representa uma alta de 24,3% em relação a 2024 e um crescimento de 7,5% na comparação com o trimestre anterior. A região Sudeste concentra 47% dos processos em andamento, com destaque para São Paulo, que reúne 1.315 CNPJs, o equivalente a 23,15% do total nacional.
Apenas entre outubro e dezembro de 2025, 510 empresas entraram com novos pedidos de recuperação judicial, acumulando cerca de R$ 40 bilhões em dívidas.
De acordo com a RGF, a taxa Selic em 15%, aliada ao menor acesso ao crédito, tornou mais difícil e caro renegociar passivos, acelerando o movimento de judicialização.
O agronegócio aparece como o setor mais pressionado proporcionalmente, com Índice de Recuperação Judicial (IRJ) de 13,53 — o que significa que, a cada mil empresas ativas, cerca de 13 estão em recuperação.
A média nacional do índice é de 2,13. Já o setor de serviços lidera em números absolutos, com 1.302 empresas, mas apresenta o menor impacto proporcional, com IRJ de 1,02.
Entre os novos casos, o Unigel responde por quase metade das dívidas registradas no período, cerca de R$ 19 bilhões. A companhia atribui sua crise à retração global do setor petroquímico e à concorrência internacional, especialmente de empresas asiáticas.
Processos de grande repercussão também marcam o cenário recente, como os de Americanas, Oi, 123 Milhas e Bombril. Também figuram na lista Supermercados Dia, Casa do Pão de Queijo e a SouthRock, gestora das marcas Subway e Starbucks no Brasil.
No quarto trimestre, 29% das empresas que encerraram a recuperação judicial tiveram a falência decretada, enquanto 71% conseguiram retomar as operações sem supervisão da Justiça.
A recuperação judicial é um instrumento legal voltado à preservação das empresas, dos empregos e da arrecadação de impostos.
O processo permite a reorganização de dívidas anteriores ao pedido, com prazos mais longos e descontos que podem chegar a 70%, desde que o plano seja aprovado por ao menos metade dos credores. Sem aval, a alternativa pode ser a falência, com encerramento das atividades e venda de ativos. E mais: Urgente: Trump anuncia que EUA cortarão relações com a Espanha. Clique AQUI para ver. (Foto: IA; Fonte: Metrópoles)

