O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) divulgou, neste sábado (3), uma nota pública em que condena a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e classifica a ofensiva dos Estados Unidos como um ataque direto à soberania do país vizinho. Para a organização, a ação representa o ápice de uma sequência de agressões promovidas por Washington ao longo dos últimos anos.
Em outubro do ano passado, o líder do Movimento, João Pedro Stédile, declarou sua intenção de ajudar a Venezuela. Segundo ele, os ‘movimentos sociais’ da América Latina devem se organizar e mandar brigadas para o país, em apoio ao regime de Nicolas Maduro, ameaçado de invasão americana. Para lutar ao lado deles? Não. Para “plantar feijão” e “cozinhar”.
No comunicado, o MST afirma ter recebido “as notícias do ataque criminoso do imperialismo estadunidense à Venezuela” e sustenta que o episódio não é isolado. Segundo o movimento, trata-se de “o ponto máximo de uma série de agressões que há anos já ocorre à soberania daquele país”. A entidade também declara solidariedade ao povo venezuelano e acusa diretamente o governo do presidente Donald Trump por atos de guerra.
Ao contextualizar o conflito, o movimento associa a atual crise ao processo político iniciado com a Revolução Bolivariana. De acordo com a nota, “o imperialismo nunca aceitou o povo venezuelano tomar em suas mãos o futuro daquele país, por meio da Revolução Bolivariana”, afirmando que, desde a liderança de Hugo Chávez, os Estados Unidos buscariam enfraquecer a soberania popular conquistada. (continua)
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(segue) O MST também aponta interesses econômicos por trás da ofensiva. Para a organização, a intenção norte-americana seria submeter novamente a Venezuela e garantir o controle de suas riquezas naturais. “Sua intenção é fazer com que a Venezuela volte a estar de joelhos, entregando seu petróleo aos EUA, assim como era antes da Revolução”, diz o texto.
A nota menciona ainda uma escalada recente de pressões e ações militares. Segundo o movimento, “as tentativas de desestabilização, embargos, golpes, boicotes e outras formas de ação são armas utilizadas pelo imperialismo”, ressaltando que, nos últimos meses, houve mobilização de navios de guerra, aeronaves militares e fuzileiros navais dos Estados Unidos na região. (continua)
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(segue) Ao tratar diretamente da prisão de Maduro, o MST classifica o episódio como uma ofensiva com fins econômicos. “O ataque deste sábado é uma ação de guerra e de saque”, afirma a organização, que acrescenta que os recentes sequestros de navios petroleiros demonstrariam que “o único interesse dos EUA não é por ‘democracia’ ou ‘liberdade’, mas por petróleo”.
Em tom duro, o texto afirma que “Trump se tornou o maior pirata da atualidade” e denuncia que “não suficiente, também sequestraram o Presidente Nicolás Maduro”.
O movimento também critica a política externa americana para a região, afirmando que os Estados Unidos estariam retomando práticas históricas de intervenção. Segundo a nota, Washington teria “resgatado a Doutrina Monroe, para afirmarem que nossa região é o quintal do imperialismo”, por temer a perda de influência diante de iniciativas populares e anti-imperialistas no Sul Global.
Ao final do comunicado, o MST reforça seu posicionamento político e convoca mobilização internacional. “Reafirmamos nossa solidariedade histórica ao povo venezuelano e à Revolução Bolivariana”, diz o texto, acrescentando que a organização estará “ao lado daquele povo que ousa desafiar o imperialismo e serem protagonistas de seu futuro”.
A entidade também informou que estudantes, militantes e dirigentes que atuam na Venezuela estão em segurança e convocou organizações populares do Brasil e de outros países a se manifestarem. “Convocamos todas as organizações populares do Brasil e do mundo a se somarem em solidariedade à Venezuela”, conclui a nota, encerrada com as palavras de ordem: “Viva o povo venezuelano!” e “Fora imperialismo! Tire as mãos da América Latina!”. (Foto: EBC)

