Num momento em que a direita brasileira tenta reorganizar suas peças no tabuleiro eleitoral e em que possíveis candidaturas são avaliadas com cautela por partidos, aliados estratégicos e lideranças que buscam viabilidade nacional, movimentos discretos têm ocorrido longe dos holofotes.
Entre encontros reservados, viagens internacionais, conversas sigilosas e projeções sobre a sucessão, um novo fator começou a alterar cálculos internos e abrir divergências dentro de um dos grupos políticos mais influentes do país — algo que, segundo a colunista Monica Bergamo, já provoca reações tanto no Centrão quanto entre apoiadores históricos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a jornalista, lideranças de partidos que apoiaram Jair Bolsonaro no passado e que hoje estão alinhadas ao nome de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) receberam diretamente do senador a confirmação de suas pretensões eleitorais. (continua)
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(segue) Conforme Mônica Bergamo, Flávio afirmou que pretende disputar o Palácio do Planalto e demonstra confiança em sua viabilidade eleitoral. Um dos interlocutores citados na matéria declarou: “E, mais ainda: acha que pode ganhar”.
Ainda segundo a colunista, o movimento de Flávio não se restringe ao Congresso. A reportagem aponta que o senador também conversou com o deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, e o tema central foi a sucessão presidencial de 2026.
Como mostra a reportagem, Eduardo demonstrou disposição em entrar no páreo caso seja necessário impedir que o chamado espólio político da família seja transferido, de maneira passiva, para o governador Tarcísio de Freitas e para o Centrão.
A jornalista relata que os dois irmãos estiveram reunidos no mês passado nos Estados Unidos, com a presença do comentarista Paulo Figueiredo. Durante o encontro, Flávio teria ouvido do irmão que receberia “apoio entusiasmado”, incluindo a desistência de Eduardo caso o primogênito do ex-presidente realmente lance candidatura, sob o argumento de que ele representaria de forma legítima o movimento político originado por Jair Bolsonaro.
Um dos trechos da reportagem reproduzidos destaca: “Isso acabaria com os planos de uma chapa puro-sangue do Centrão, só com gente deles, em um bolsonarismo sem Bolsonaro”.
Conforme Mônica Bergamo, Flávio e Eduardo também devem viajar juntos a El Salvador, onde terão um encontro com o presidente Nayib Bukele, referência mundial entre apoiadores de segurança pública de linha dura.
A informação encaixa com uma postagem de Flávio ao lado de Tarcísio nessa sexta-feira (14). Na publicação, o senador escreve: “Eu e Tarcisão, no RJ e em SP, estaremos juntos e com Jair Bolsonaro em qualquer cenário. Minha única certeza é que Lula não será mais presidente do Brasil a partir de 2027!”
O avanço de Flávio sobre a disputa presidencial é analisado como um fator de pressão direta sobre o projeto eleitoral de Tarcísio. Segundo a colunista, Flávio teria maior capacidade de diálogo com o Centrão e até com ministros do Supremo Tribunal Federal, o que fortaleceria sua aceitação em certos setores decisórios.
A avaliação repassada à jornalista por um aliado do ex-presidente é a de que a probabilidade de Tarcísio se lançar candidato teria caído significativamente diante da nova movimentação: “Tarcísio começou o mês com 85% de chances de ser o candidato a presidente da direita. Elas caíram para 50% com essa disposição recente do Flávio”.
Possíveis composições
Conforme a reportagem, uma alternativa ventilada seria uma chapa composta pelos dois, com Tarcísio na cabeça e Flávio como vice. Entretanto, líderes do Centrão demonstraram rejeição aberta à possibilidade de incluir um membro da família Bolsonaro na vice, por receio de perda de ‘votos moderados’.
Já apoiadores de Eduardo argumentaram, segundo Bergamo, que a lógica eleitoral deveria ser invertida: “O lógico seria o contrário: Flávio presidente com Tarcísio de vice, já que os votos são de Bolsonaro. O rabo não pode abanar o cachorro. Tem que ser o contrário”.
A decisão de Bolsonaro
A colunista também registrou que o ex-presidente Jair Bolsonaro permanece como o último e decisivo avalista. Caso ele oriente Flávio a assumir a vaga de vice, o senador acataria, de acordo com o que foi relatado.
Outra possibilidade citada é uma chapa com Michelle Bolsonaro de vice, embora o PL tenha sinalizado nesta semana que ela deve disputar o Senado pelo Distrito Federal, em coligação com Bia Kicis. (Foto: redes sociais; Fonte: Folha de SP)

