Kodak anuncia risco de encerrar atividades após 133 anos

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A Eastman Kodak Company, referência mundial na história da fotografia, admitiu pela primeira vez de forma oficial que pode encerrar suas operações após 133 anos de atividade.

Em documento regulatório, a companhia informou que enfrenta dívidas com vencimento em até 12 meses e não dispõe, no momento, de financiamento ou recursos líquidos suficientes para quitar essas obrigações nos termos atuais.

“A Kodak tem dívidas que vencem em 12 meses e não tem financiamento comprometido ou liquidez disponível para cumprir tais obrigações, caso vençam nos termos atuais”, afirmou a empresa. A declaração acrescenta que “essas condições levantam dúvidas substanciais sobre a capacidade da Kodak de continuar como uma empresa em atividade”.

Com sede em Rochester, no estado de Nova York (EUA), a companhia reportou ter US$ 155 milhões em caixa no final de junho, sendo US$ 70 milhões mantidos nos Estados Unidos.

Apesar do alerta, a Kodak minimizou o tom de crise em comunicado divulgado na última terça-feira, explicando que a inclusão da chamada “linguagem de continuidade” no relatório é uma exigência formal, decorrente do prazo de vencimento das dívidas.

A empresa afirmou estar confiante de que conseguirá quitar parte significativa de um empréstimo antes do prazo, além de renegociar, prorrogar ou refinanciar o saldo restante, bem como obrigações ligadas a ações preferenciais.

Em 2023, a empresa anunciou o fim de seu plano de aposentadoria como forma de reduzir passivos. Segundo o The Wall Street Journal, o diretor financeiro David Bullwinkle afirmou na segunda-feira que a Kodak espera definir ainda hoje como fará para cumprir integralmente os pagamentos aos beneficiários do plano de pensão, com previsão de concluir o processo até dezembro.

De gigante da fotografia ao declínio
Fundada oficialmente em 4 de setembro de 1888 por George Eastman e Henry A. Strong, a Kodak revolucionou a fotografia no século XX com câmeras icônicas como as linhas Brownie e Instamatic e suas inconfundíveis caixas de filme amarelas e vermelhas. O termo “momento Kodak” chegou a se popularizar como sinônimo de ocasiões que mereciam ser registradas para a posteridade.

Durante décadas, a empresa reinou absoluta no setor, mas começou a perder terreno no final dos anos 1990 devido à queda na demanda por filmes fotográficos e à lentidão em adotar a tecnologia digital, mesmo tendo desenvolvido a primeira câmera digital independente.

O espaço perdido foi rapidamente ocupado por concorrentes japonesas como Canon, Sony e Fuji, que avançaram no mercado com mais agilidade e inovação.

A situação se agravou com o aumento da dívida e a intensificação da competição, levando a Kodak a entrar com pedido de recuperação judicial em 2012.

Na época, anunciou o fim da produção de câmeras digitais, filmadoras de bolso e porta-retratos digitais, concentrando esforços no mercado corporativo de imagem e impressão digital. Parte de sua estratégia incluiu ações judiciais para monetizar patentes.

Apesar de diversas tentativas de reinvenção, a companhia nunca recuperou o protagonismo do passado. Agora, com um novo ciclo de pressões financeiras e prazos apertados para pagamento de dívidas, a Kodak enfrenta um de seus momentos mais delicados, com o risco real de encerrar uma história que atravessou mais de um século e moldou a forma como o mundo registrou suas memórias. (Foto: PixaBay; Fonte: UOL)

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